Mais de 57 mil famílias produtoras foram afectadas pelas inundações registadas no final de 2025 e no início deste ano, no decurso da actual campanha agrária 2025/26, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas durante uma reunião de avaliação realizada na quinta-feira 8 de Janeiro deste ano.
As cheias atingiram pelo menos 92 mil hectares de culturas diversas, o equivalente a cerca de 1,8 por cento da área total semeada no país, envolvendo várias províncias do centro e sul, num cenário que continua a merecer atenção das autoridades do sector agrário.
Sofala surge como a província mais afectada, com mais de 54 mil hectares inundados, dos cerca de 211 mil hectares cultivados, situação que comprometeu a produção de mais de 41 mil famílias. Na Zambézia, as águas afectaram mais de 35 mil hectares, embora num universo mais amplo de áreas semeadas.
Também as províncias de Tete, Manica, Gaza, Maputo Província, Nampula e Inhambane registaram danos, ainda que com níveis diferenciados de impacto. Inhambane apresenta perdas consideradas residuais, enquanto Cabo Delgado não reportou áreas inundadas nem famílias afectadas.
Entre as culturas mais prejudicadas estão o arroz, milho, feijões, mandioca e batata-doce, produtos essenciais para a alimentação das famílias rurais e para a economia local, sobretudo nas zonas de produção familiar.
Apesar deste quadro, o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas mantém a previsão de uma campanha agrária globalmente positiva, com uma área planificada de cerca de 7,8 milhões de hectares e uma produção estimada em mais de 17 milhões de toneladas de diferentes culturas alimentares.
Estes números apontam para um crescimento de cerca de cinco por cento face à campanha anterior, resultado que, segundo as autoridades, depende da recuperação das áreas afectadas e da continuidade de condições climáticas favoráveis nos próximos meses.
Além da agricultura, as cheias causaram danos na aquacultura e na pecuária, com destaque para a província de Sofala, onde foram destruídos tanques piscícolas, gaiolas e infra-estruturas pecuárias, afectando centenas de produtores que aguardam medidas de apoio e reposição dos meios de produção.







