Os residentes do bairro de reassentamento de Mudada, no distrito de Matutuíne, passaram a contar com uma comissão própria para gerir a venda de cimento de construção na comunidade.
A estrutura foi criada com o objectivo de reduzir as dificuldades no acesso ao material e travar os custos elevados praticados fora do bairro.
A iniciativa resulta das preocupações apresentadas, na semana passada, pela população local ao Secretário de Estado na província de Maputo, Henriques Bongece, durante um encontro com a comunidade.
Na ocasião, os moradores queixaram-se da indisponibilidade de cimento em Mudada e do preço elevado do produto nos mercados vizinhos.
Numa primeira fase, a empresa Dugongo vai disponibilizar um contentor com 300 sacos de cimento, cuja entrega está prevista para a próxima semana. Está igualmente prevista a cedência de uma máquina para a produção de blocos de construção, com vista a impulsionar a autoconstrução de habitações no bairro.
O assessor da fábrica Dugongo, Agostinho Mondlane, explicou que o apoio será feito em regime de empréstimo. “O material será entregue à comunidade e o pagamento poderá ser feito de forma faseada”, disse, acrescentando que as modalidades de liquidação da dívida ainda serão discutidas entre as partes envolvidas.
Segundo Mondlane, a criação da comissão local é vista como um passo importante para garantir transparência e boa gestão do material disponibilizado. “A ideia é que a própria comunidade assuma a responsabilidade pelo processo”, sublinhou.
Paralelamente, arranca amanhã o processo de limpeza das áreas destinadas à abertura de machambas para a população reassentada.
A medida visa criar condições para a produção agrícola e reforçar a segurança alimentar das famílias de Mudada.
A comunidade espera que o acesso regular ao cimento e o início das actividades agrícolas contribuam para melhorar as condições de vida no bairro, marcado ainda por desafios estruturais desde o processo de reassentamento.







