O Senado dos Estados Unidos aprovou, esta quinta-feira, 8 de Janeiro de 2026, uma resolução que proíbe a actuação das Forças Armadas norte-americanas contra a Venezuela sem autorização prévia do Congresso, numa decisão que expõe fissuras internas na condução da política externa do país.
A resolução foi aprovada por 52 votos a favor e 47 contra, com o apoio de parlamentares governistas e da oposição, num gesto de forte carga política, embora de carácter simbólico. O documento ainda deverá passar por outras instâncias antes de ser apreciado em plenário.
A iniciativa ganhou impulso após o recente ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela e o alegado sequestro do Presidente Nicolás Maduro, ocorrido no sábado, 3 de Janeiro, episódio que provocou reacções dentro e fora do país.
A votação é interpretada como uma reprovação bipartidária à actuação do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobretudo no que diz respeito à utilização da força militar sem consulta ao Congresso.
Cinco senadores republicanos romperam a disciplina partidária e votaram ao lado dos democratas. Tratam-se de Rand Paul, do Kentucky, Lisa Murkowski, do Alasca, Susan Collins, do Maine, Todd Young, de Indiana, e Josh Hawley, do Missouri.
A resolução foi apresentada por Rand Paul e exige o fim imediato das agressões contra a Venezuela, condicionando qualquer acção militar futura à aprovação expressa do Senado.
O senador democrata Andy Kim, representante de Nova Jersey, comentou a votação na rede social X, afirmando que a decisão “reflecte a profunda preocupação com as contínuas acções militares na Venezuela” e sublinhando que “os norte-americanos não querem controlar a Venezuela e merecem que as suas vozes sejam ouvidas”.
Enquanto em Washington se discute o alcance do poder presidencial em matéria de guerra, Caracas reafirma a sua soberania e sustenta que a política externa e a segurança nacional são matérias exclusivas do Estado venezuelano.
Na Venezuela, a mobilização popular mantém-se activa, exigindo a libertação imediata de Nicolás Maduro e da primeira-combatente Cilia Flores, com manifestações que reiteram que nenhum actor externo tem legitimidade para decidir ou impor destinos ao povo venezuelano.







