O advogado internacional de Bobi Wine, Robert Amsterdam, enviou nesta semana uma carta aberta ao presidente de Uganda, Yoweri Museveni, exigindo garantias escritas imediatas para a segurança e integridade física do líder da oposição e da sua família.
A comunicação, datada de 26 de Janeiro, acusa o governo de intimidar Wine e o seu agregado familiar após as eleições presidenciais de 14 de Janeiro, que Bobi Wine rejeitou por considerá-las fraudulentas.
Amsterdam descreveu a presença militar em torno da residência de Wine, na zona de Magere, como uma forma de “intimidação” e “retaliação” e não como uma medida legítima de protecção.
O advogado afirma que Bobi Wine e a família enfrentam “um risco real e imediato” e que o Estado não pode justificar reacções repressivas apenas por diferenças políticas.
Na carta, Amsterdam enumera quatro exigências: garantias escritas de segurança para Wine e a sua família, retirada total das forças de segurança da casa, compromisso formal para pôr fim a qualquer retaliação e preservação de todas as provas relacionadas com as operações de segurança. Segundo ele, “estas exigências não são negociáveis”.
O pedido surge numa altura em que a situação política e social em Uganda é considerada crítica. Depois da votação, forças de segurança detiveram milhares de apoiantes da oposição e foram relatadas dezenas de mortes entre manifestantes e simpatizantes, o que tem atraído críticas de organizações de direitos humanos.
Fontes ligadas ao movimento de Bobi Wine dizem que, desde as eleições, o líder tem permanecido fora de vista por questões de segurança, preparando-se para responder às ações do governo. O próprio afirmou que não pode regressar à sua residência enquanto não houver garantias claras da sua proteção.
A carta de Amsterdam também critica duramente o chefe das Forças Armadas de Uganda, o general Muhoozi Kainerugaba, filho do presidente Museveni, citando declarações suas que, segundo o advogado, ameaçam directamente a vida de Wine.
O contexto internacional reage com atenção crescente. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou à contenção e ao respeito pelos direitos humanos, destacando a necessidade de todos os actores políticos cumprirem as obrigações internacionais em matéria de protecção de civis.
Organizações de direitos humanos e observadores independentes têm chamado à acção global, alertando que qualquer dano infligido a Bobi Wine ou à sua família poderá desencadear consequências legais e sanções com repercussões ao longo da cadeia de comando.
A situação permanece volátil, com relatos de violência e detenções a alimentar um clima de incerteza no país.
A carta de Amsterdam intensificou a pressão sobre o governo de Museveni, ampliando a atenção internacional sobre as questões de direitos humanos e a segurança dos líderes da oposição em Uganda.







