O Ministério Público desencadeou, na manhã desta quinta-feira, uma operação que resultou na emissão de mandados de captura contra três antigos quadros de topo das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), no âmbito de investigações sobre alegadas práticas ilícitas na companhia estatal.
Entre os visados estão Pó Jorge, que desempenhou funções de Director-Geral da transportadora aérea, Hilário Tembe, afastado recentemente do cargo de Director Operacional, e Eugénio Mulungo, ligado à área de Tesouraria.
O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) teria alertado previamente a administração da LAM sobre a possibilidade iminente de detenção de Hilário Tembe. Na mesma comunicação, recomendava-se a sua exoneração do cargo de “Account Manager”, o que acabou por acontecer dias depois, sem qualquer esclarecimento público por parte da empresa.
Entre os factos sob escrutínio está um alegado esquema relacionado com contratos de catering. Segundo informações tornadas públicas, facturas inicialmente estimadas em cerca de sete milhões de meticais teriam sido pagas por montantes que rondam os 15 milhões, levantando suspeitas quanto à legalidade e justificação da diferença.
Fontes próximas do processo indicam que existem pelo menos cinco processos-crime em curso, todos acompanhados de mandados de captura já validados por um juiz. As autoridades admitem que novas detenções possam ocorrer nas próximas horas, à medida que as investigações evoluem.
Até ao fecho desta edição, nem a administração da LAM nem os antigos gestores visados haviam reagido publicamente. O Ministério Público, por sua vez, limitou-se a confirmar a existência de investigações, sem avançar detalhes sobre os crimes concretamente imputados.







