Na última semana, 130 homens supostamente desmobilizados da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) abandonaram as matas e entregaram armas as autoridades ao nível da província da Zambézia com a esperança de integrar o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração em curso no país. Entretanto, parece que a situação encontrou partido liderado por Ossufo Momade de surpresa, visto que, segundo o delegado província da perdiz naquele ponto do País, Inácio Reis, trata-se de uma obra de pessoas de má fé que pretendem descredibilizar a actual segunda maior força da oposição em Moçambique. Por outro lado, Reis vincou que a perdiz é pela paz e neste momento não está preocupada em fazer guerra
Numa cerimônia dirigida pelo Governador da província da Zambézia, Pio Matos, os 130 homens que se identificaram como ex-guerilheiros da RENAMO entregaram catanas e armas, por sinal, o primeiro passo para a sua reintegração social e, sobretudo, para fazer parte do processo de DRR.
Depois de alguns dias aconchegado ao silêncio sobre o assunto, a direcção da RENAMO veio ao público falar sobre os supostos desmobilizados. Segundo Inácio Reis, os 130 homens que se renderam as autoridades não tem nenhuma ligação com o partido liderado por Ossufo Momade.
“A notícia não confere com a verdade, pois a RENAMO tem uma responsabilidade em manter a paz neste país. Em Janeiro, tive um encontro de cortesia com o comandante provincial da PRM na Zambézia, que, de várias matérias, fomos discutindo o assunto da segurança na província. O próprio comandante questionou-me se conhecia de um grupo de homens armados, munidos de catana, que estão na montanha de Morumbala. E se eu, como delegado provincial, tinha o domínio e tinha a monitoria daqueles homens, afirmei categoricamente que a RENAMO não tem nenhum homem armado nas matas”, referiu, vincado depois que a RENAMO já desmobilou os seus ex-guerilheiros.
“A RENAMO desmobilizou seus homens e, neste momento, a nossa responsabilidade como província é de monitorar e coordenarmos com as instituições do governo, ao nível dos distritos, para que os nossos combatentes sejam atribuídos seus talhões. E quando se trata da matéria de pensões, temos o nosso departamento de assuntos sociais que lida com o processo. Agora, se eles hoje vêm a querer se apadrinhar da RENAMO, nós acreditamos que essa responsabilidade é do próprio governo porque aqueles não foram nas matas”.
RENAMO confirma que desmobilizados estão a receber suas pensões nos distritos
Reis não tem dúvidas de que os homens que se identificaram como desmobilizados da RENAMO tiveram um comando no tempo das manifestações pôs – eleitorais, daí que que defende o mesmo deve ser responsabilizado pelas autoridades.
“Eles tiveram o seu próprio comando. No âmbito das manifestações havia narrativas que poderia haver uma nova desmobilização. Nós apelávamos aos nossos irmãos, os nossos desmobilizados, que ninguém poderia aderir, portanto, a este movimento porque não é a responsabilidade da RENAMO. Por isso, nós convocamos essa conferência de imprensa para reiterar o nosso posicionamento de que a RENAMO é pela paz. A RENAMO, neste momento, não está preocupado em fazer mais guerra. O nosso objectivo é manter a paz e queremos apelar ao governo de Moçambique para fazer o seu devido trabalho, para que encontre aqueles que lhe solicitavam, dizendo que iam fazer a nova desmobilização e serem responsabilizados”.
Relativamente ao processo de DDR, delegado provincial da RENAMO na Zambézia revelou que os desmobilizados estão a receber as suas pensões, mas advertiu que o Executivo deve acelerar a atribuição dos terrenos.
“O governo deve fazer a sua parte é na medida em que eles devem, portanto, fazer aquilo que foi o acordado. Estamos a falar na flexibilização de pensões, na atribuição de talhões nos distritos, porque este foi um acordo entre o RENAMO e o governo. E o outro elemento é que o RENAMO, como um partido, não opta neste momento de dizer que os nossos combatentes, as suas pensões, porque a própria RENAMO não tem como pagar as pensões. Quem paga as pensões, quem flexibiliza todo esse processo é o governo. Apenas o RENAMO é um partido. Eu acredito que o processo é complexo, mas ao nível dos distrito os nossos combatentes, paulatinamente, estão recebendo suas pensões”.
Nas entrelinhas, Inácio Reis advertiu que os supostos desmobilizados que reclamam que foram excluídos do processo de DDR não são da RENAMO porque o processo de registo aconteceu em todas as províncias, distritos e vilas.
“Acredito que no âmbito do registro, qualquer um desmobilizado, não tem nada a ver com sexo masculino e feminino, o processo foi único. Entretanto, quem não foi alistado, a pergunta é onde é que estava. Porque nós tivemos um processo todo coberto de rumo a pouco, tivemos bases onde todos os nossos combatentes eram alistados. Então, se hoje aparece alguém que diz que eu não fui alistado, onde é que estava esse cidadão? Por isso que digo, há uma responsabilidade individual”, concluiu.








