O filósofo José Castiano abriu mais uma sessão do ciclo “Escutar a Palavra” com uma reflexão centrada na relação entre filosofia e literatura, defendendo que “a literatura não é apenas expressão estética, mas também um espaço de produção de pensamento”.
A iniciativa integra a agenda da Associação dos Escritores Moçambicanos, afirmando-se como uma plataforma de diálogo intelectual que aproxima diferentes áreas do saber e promove o debate crítico no país.
Durante a sua intervenção, Castiano propôs uma leitura articulada entre o romance A Hora Maconde, de Marcelo Panguana, e a obra Filosofia Africana: da Sagacidade à Intersubjectivação, sublinhando que “a filosofia africana encontra na literatura um campo fértil para se manifestar e se reinventar”.
Segundo o filósofo, “os textos literários africanos carregam em si questões ontológicas e éticas profundas, muitas vezes ignoradas pelas abordagens filosóficas tradicionais”.
A sessão foi marcada por uma forte interacção entre os participantes, com estudantes e investigadores a partilharem inquietações sobre o lugar da filosofia africana no panorama global.
Entre as questões levantadas, destacou-se a interrogação sobre a natureza da filosofia africana e moçambicana. “Estamos perante uma filosofia autónoma ou ainda dependente de matrizes externas?”, questionou um dos participantes.
Outro ponto de debate incidiu sobre o momento actual do pensamento africano, com reflexões em torno da sua evolução e relevância. “A filosofia africana está hoje num processo de afirmação, mas ainda enfrenta desafios de reconhecimento”, observou Castiano.
Os participantes discutiram também as relações entre os saberes africanos e os de outras regiões, com destaque para as diferenças epistemológicas. “Há pontos de contacto, mas também rupturas profundas na forma de pensar e interpretar o mundo”, foi referido durante a sessão.
No encerramento, ficou a percepção de que espaços como este são essenciais para o fortalecimento do pensamento crítico, com Castiano a sublinhar que “pensar África a partir de África continua a ser um desafio urgente e necessário”.







