A cultura deve deixar de ser vista apenas como expressão artística e passar a ser entendida como instrumento de desenvolvimento económico e resistência à pressão da globalização.
A mensagem foi partilhada pelo Governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, no lançamento da fase provincial do XII Festival Nacional da Cultura, realizado nesta terça-feira, na cidade de Nampula.
Dirigindo-se a artistas, responsáveis distritais e agentes culturais, Abdula defendeu que “as expressões culturais devem ser promovidas como fontes de rendimento, de geração de emprego e de inclusão social”, apelando para que os 23 distritos de Nampula integrem a cultura nas suas agendas de desenvolvimento local.
Num contexto de perda de referências identitárias e crescente influência externa, o governador foi claro ao afirmar que “a nossa soberania cultural só será protegida se soubermos valorizar os nossos valores, tradições e símbolos”, reiterando a necessidade urgente de resgatar os saberes ancestrais.
Nampula destaca-se como um dos centros mais ricos da diversidade cultural nacional. Com mais de 1.800 grupos de dança tradicional, como o Tufo, Parampara, Nsope, Roro e Mpirie, a província guarda um acervo significativo de manifestações que vão da gastronomia à música, do artesanato à poesia popular, conforme sublinhou o governador.
“A cultura tem valor económico e deve ser transformada num activo estratégico para o bem-estar das comunidades”, insistiu Abdula, chamando a atenção para o papel das indústrias culturais e criativas na redução da pobreza e fortalecimento da coesão social. Para ele, o investimento neste sector é também um investimento em paz e segurança.
Responsáveis distritais da área da cultura acolheram com entusiasmo o apelo do governador. Um representante de Mogovolas declarou que “a nossa juventude precisa reencontrar-se com os seus valores. Estamos comprometidos em levar as manifestações culturais para os espaços escolares e comunitários.”
Durante o evento, o Chefe do Executivo Provincial alertou ainda para os riscos da “inculturação”, isto é, a substituição dos valores autóctones por modelos alheios à realidade moçambicana, enfatizando que a cultura não pode ser apenas preservada, mas precisa ser vivida no quotidiano.
O Festival Nacional de Cultura surge como espaço privilegiado para essa reafirmação. Na sua fase provincial, serve também como palco de mobilização social e fortalecimento da autoestima colectiva, visando selecionar os representantes de Nampula para a etapa nacional que se avizinha.







