A França decidiu votar contra a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul, numa posição que expõe divisões políticas internas e tensões crescentes no seio do bloco europeu sobre o futuro das trocas comerciais.
O anúncio foi feito pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, na véspera da votação em Bruxelas, sublinhando existir em França “uma rejeição política unânime” em relação ao acordo negociado entre as duas partes ao longo de vários anos.
Em comunicado, Macron reconheceu que houve “avanços incontestáveis” no processo negocial, mérito que atribui à Comissão Europeia, mas considerou que esses progressos não são suficientes para ultrapassar as reservas políticas expressas pelo parlamento francês.
Segundo o chefe de Estado francês, a oposição ficou clara nos recentes debates realizados tanto na Assembleia Nacional como no Senado, onde diferentes forças políticas convergiram na recusa do acordo tal como está formulado.
A posição de Paris junta-se à oposição já manifestada por países como a Irlanda, a Polónia e a Hungria, embora estas resistências não sejam, à partida, suficientes para travar a aprovação do acordo pela maioria dos Estados-membros da União Europeia.
Ainda assim, o voto francês tem peso político significativo e reacende o debate sobre o equilíbrio entre abertura comercial, protecção dos sectores produtivos europeus e exigências ambientais e sociais.
Macron enfrenta igualmente forte pressão interna, em particular dos agricultores, que têm protagonizado manifestações em Paris e noutras cidades, temendo a concorrência de produtos agrícolas provenientes do Mercosul.
“França é favorável ao comércio internacional”, garantiu o Presidente, mas acrescentou que o acordo UE–Mercosul “é um acordo de outra época, negociado há demasiado tempo com base em fundamentos demasiado antigos”.
A votação em Bruxelas decorre num contexto de crescente contestação social e política, levantando dúvidas sobre a capacidade da União Europeia em fechar grandes acordos comerciais sem uma revisão profunda das suas prioridades económicas e ambientais.







