O partido no poder admitiu publicamente a existência de limitações financeiras para a construção de infraestruturas robustas capazes de travar eficazmente os danos causados pelas cheias e inundações que assolam periodicamente o país.
A declaração foi feita hoje 17 de Janeiro, durante um encontro em Nampula, refletindo uma postura de transparência perante um dos desafios estruturais mais prementes.
Filipe Paúnde, membro da Comissão Política do partido, foi o porta-voz desta avaliação, falando no passado sábado. O dirigente sublinhou a magnitude financeira do problema, afirmando que os “custos são bastante elevados” para erguer sistemas de drenagem, barragens de contenção e outras obras de engenharia necessárias a nível nacional.
Esta constatação surge num contexto em que a assistência recebida pelo país, tanto de origem nacional como internacional, se revela insuficiente para cobrir tais investimentos de capital. Paúnde explicitou que as doações “são, na sua maioria, de alimentação e vestuário”, destinadas a alívio humanitário imediato, e não ao financiamento de projetos de infraestrutura permanentes e de grande escala.
A natureza reativa e pontual da ajuda disponível limita, portanto, a capacidade de planeamento e execução de soluções duradouras. O foco da assistência permanece na resposta à emergência, em detrimento da construção da resiliência a longo prazo face a eventos climáticos extremos.
Perante este cenário, Paúnde destacou a mobilização de outros recursos nacionais. Ele enfatizou a “capacidade tecnológica e humana” do país para implementar medidas pontuais de mitigação, especialmente aquelas voltadas para a proteção de vidas.
Estas medidas incluem operações de evacuação, alertas precoces, a construção temporária de diques e a reparação urgente de infraestruturas críticas.
O objetivo prioritário, conforme assinalado, é “evitar mais danos, particularmente humanos”, numa clara hierarquização que coloca a salvaguarda da população em primeiro lugar.
A declaração ilustra o dilema enfrentado pelas autoridades: a necessidade imperiosa de investir em prevenção estrutural esbarra na crónica escassez de recursos financeiros direcionados para este fim específico. Esta lacura mantém o ciclo de resposta a desastres, em vez de os prevenir.
A afirmação pode ser interpretada como um apelo indireto para que a comunidade internacional e os parceiros de desenvolvimento reconsiderem o tipo de apoio prestado, canalizando fundos não apenas para a ajuda humanitária, mas também para programas de construção de resiliência e adaptação climática.
A posição do partido no poder, ao reconhecer abertamente estas limitações, coloca o debate sobre o financiamento da adaptação climática e da infraestrutura resiliente no centro da agenda política nacional, salientando a necessidade de se encontrarem mecanismos financeiros inovadores e sustentáveis para proteger o país no futuro.







