O general Mamadi Doumbouya, líder do golpe militar de 2021 que depôs o presidente Alpha Condé, tomou hoje posse como Presidente da Guiné-Conacri.
A cerimónia marca o fim formal das suas funções à frente do Governo de transição, um período que se estendeu por mais de quatro anos após a tomada do poder pelas armas.
O evento, que durou várias horas, realizou-se num estádio na capital Conacri, perante uma multidão estimada em 50 mil pessoas.
A cerimónia simbólica representa a tentativa de conferir legitimidade popular e solenidade institucional à transição de um governo militar para um regime civil eleito.
Doumbouya ascende à presidência após vencer as eleições presidenciais de 28 de dezembro com uma percentagem esmagadora de 86,72% dos votos.
O pleito foi boicotado pelos principais partidos da oposição, que o acusaram de ser uma farsa destinada a legitimar o controlo militar sobre o país.
Durante a cerimónia, o novo presidente fez o juramento de posse sobre a nova Constituição, aprovada por referendo em setembro de 2025. A carta magna, também contestada pela oposição e por observadores internacionais, foi promulgada durante o período de transição sob a sua liderança.
“Juro perante Deus e perante o povo da Guiné respeitar e assegurar o rigoroso respeito pela Constituição, pelas leis e pelas decisões dos tribunais”, declarou Doumbouya, com a mão direita erguida. O momento simboliza o seu compromisso público de governar dentro do novo quadro legal que ele próprio ajudou a estabelecer.
A tomada de posse consolida uma transição política incomum, na qual um líder golpista se submeteu a um processo eleitoral para se tornar presidente constitucional.
Este caminho tem sido alvo de críticas por parte da comunidade internacional e de organizações de defesa da democracia, que questionam a liberdade e justiça do processo.
Analistas regionais apontam que o maior desafio de Doumbouya será unir um país profundamente dividido e restaurar a confiança internacional, essencial para o desenvolvimento económico da Guiné-Conacri, uma nação rica em recursos minerais mas assolada pela instabilidade política.
O novo mandato inaugura um período de expectativa e incerteza. A população aguarda para ver se o governo de Doumbouya cumprirá as promessas de melhoria das condições de vida, combate à corrupção e estabilidade, ou se consolidará um regime autoritário sob um novo verniz institucional.
O sucesso desta nova fase dependerá largamente da capacidade do presidente em promover um diálogo nacional inclusivo, respeitar os direitos humanos e libertar todos os presos políticos, exigências consistentes da oposição e de parceiros internacionais como a CEDEAO e a União Africana.








