O Banco de Moçambique, através do Comité de Política Monetária (CPMO), decidiu reduzir taxa de juro de política monetária de 9,50% para 9,25%. O Governador do Banco Central, Rogério Zandamela, explicou que a decisão resulta das actuais perspectivas de manutenção da inflacção em níveis controlados particularmente associados às recentes inundações que afectam cadeias logísticas e a oferta de bens essenciais e o ritmo de reposição da capacidade produtiva.
Segundo Rogério Zandamela, a redução da taxa é sustentada pelas perspectivas da inflação, não obstante a materialização de alguns riscos.
Zandamela fez questão de referir que, não obstante a desaceleração em alguns segmentos, os preços dos produtos alimentares tem registado uma evolução favorável, observando que em Dezembro do ano passado a inflação aumentou em comparação com o mesmo de Novembro, altura que manteve-se m níveis considerados baixos na componente alimentar.
O Governador do Banco Central alerta, no entanto, que o ciclo da redução da taxa de juro cujo o pontapé de saída foi dado em Janeiro de 2024 aproxima-se do limite e, por isso, considerou que o ambiente de risco e incertezas poderá condicionar novas descidas da taxa de juro de política monetária nos próximos meses.
Relativamente ao plano econômico, Rogério Zandamela perspectivou um quadro de fragilidade na actividade produtiva, apontando que no terceiro trimestre do ano passado registou-se um contração de 1,3% do Produto Interno Bruto o que, de certa forma, confirma a tendência de desaceleração que o País observa desde 2024.
Nas projeções a médio prazo, o Banco de Moçambique prevê uma redução gradual da economia, porém, a um ritmo mais lento em virtude de choques climáticos e às limitações estruturais persistentes.
O endividamento público continua uma pedra no sapato do Executivo moçambicano, uma vez que continua a aumentar e condiciona sobremaneira o funcionamento dos mercados financeiros, daí que Zandamela alertou que para os atrasos no pagamento da dívida pública pelo Estado, facto que contribui para a fraca procura por títulos públicos e, sobretudo, para a rigidez das taxas de juro no mercado monetário interbancário.
Sendo Moçambique um país que depende das importações, o governador do Banco Central alertou que o agravamento das tensões comerciais e geopolíticas podem influenciar negativamente os preços de mercadorias e ados alimentos no mercado internacional.








