Madagáscar vive horas dramáticas após a passagem do ciclone Gezani, que atingiu com violência a cidade costeira de Toamasina e várias regiões vizinhas, deixando um rasto de destruição e colocando o país sob estado de emergência. A força combinada de ventos intensos, chuvas persistentes e agitação marítima provocou a subida significativa do nível do mar, agravando o cenário de inundações em extensas áreas urbanas.
Em Toamasina, uma das zonas mais afectadas, ruas transformaram-se em autênticos rios, dificultando a circulação e isolando bairros inteiros. Moradores relatam momentos de pânico à medida que a água invadia residências e o vento arrancava coberturas, derrubava muros e destruía infra-estruturas frágeis. Há registo de habitações parcialmente ou totalmente colapsadas, deixando dezenas de famílias desalojadas.
A rede eléctrica sofreu danos consideráveis devido à queda de árvores e postes, mergulhando várias localidades na escuridão. A interrupção no fornecimento de energia comprometeu as comunicações e tornou ainda mais complexas as operações de busca e assistência às populações afectadas. Equipas de socorro trabalham sob condições adversas para alcançar zonas de difícil acesso.
Perante a gravidade da situação, o Governo malgaxe decretou medidas excepcionais. O Ministro do Trabalho anunciou a suspensão temporária das actividades nos sectores público e privado nesta quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026, abrangendo as regiões de Analanjirofo, Leste, Alaotra Mangoro e Analamanga. A decisão visa reduzir riscos e permitir maior mobilização dos meios de emergência.
As autoridades activaram alerta vermelho e reforçaram o apelo para que a população permaneça em casa enquanto o ciclone atinge o seu pico de intensidade. Serviços de meteorologia e protecção civil monitorizam a trajectória e evolução do fenómeno, numa corrida contra o tempo para minimizar perdas humanas.
O Executivo garante que todas as equipas estão em prontidão máxima, priorizando a salvaguarda de vidas e a assistência às famílias afectadas. À medida que Gezani avança pelo território, cresce a preocupação com possíveis deslizamentos de terra e novos alagamentos, num país frequentemente vulnerável a eventos climáticos extremos.
A dimensão real dos estragos deverá ser conhecida nas próximas horas, à medida que as águas recuem e as equipas consigam aceder às áreas isoladas. Entretanto, Madagáscar enfrenta um dos momentos mais desafiantes desta época ciclónica, marcado pela força implacável da natureza e pela urgência de resposta humanitária.








