O relatório anual da Procuradoria-Geral da República (PGR), entregue à Assembleia da República, revela que 2025 foi marcado pelo aumento de crimes violentos em Moçambique, apesar de alguns avanços no combate ao crime organizado.
Segundo o documento, os homicídios voluntários aumentaram 30,5%, totalizando 2.044 processos, enquanto a violência doméstica cresceu 14,4%, com 9.274 casos registados. Os crimes contra a liberdade sexual mantêm-se elevados, com 3.345 processos, afectando sobretudo mulheres e menores. As províncias da Zambézia, Tete e Cidade de Maputo estão entre as mais atingidas.
A PGR aponta como factores associados ao aumento da criminalidade o consumo de álcool e drogas, a circulação ilegal de armas e crenças ligadas à superstição. A sinistralidade rodoviária também preocupa, tendo causado 830 mortes em 611 acidentes.
No sistema de justiça, o relatório destaca uma taxa de superlotação prisional de 113,6%, com quase 19 mil reclusos para menos de 9 mil vagas, além da persistente morosidade processual e limitações de recursos.
Em contrapartida, os casos de rapto diminuíram 33,3%, passando de 15 para 10 ocorrências, com 14 condenações registadas. A PGR atribui o resultado ao reforço de técnicas de investigação e à cooperação internacional.
Outro destaque é a saída de Moçambique da lista cinzenta do GAFI, embora os casos de branqueamento de capitais tenham aumentado 19,4%, com bens no valor de cerca de 4 mil milhões de meticais congelados.
O relatório sublinha ainda a necessidade de reformas legais e maior investimento no sector da justiça para reforçar a eficiência e o combate à criminalidade.







