O Banco de Moçambique lançou, na última sexta-feira, em Maputo, a 7.ª edição do Sandbox Regulatório, uma iniciativa que visa permitir às empresas que desenvolvem soluções digitais para o sector financeiro, com destaque para as fintechs, testar os seus produtos e serviços sob supervisão da autoridade reguladora.
O programa tem como objectivo incentivar a inovação tecnológica no sistema financeiro nacional, ao mesmo tempo que assegura a observância das normas de segurança, protecção dos consumidores e estabilidade do sector. Falando durante a cerimónia de lançamento, o Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, reconheceu que a rápida transformação tecnológica no sector financeiro levanta desafios importantes relacionados com regulamentação, segurança digital e confiança dos utilizadores.
Segundo Zandamela, o Sandbox Regulatório tem vindo a afirmar-se como um instrumento estratégico para a promoção da inovação financeira no país, contribuindo para a construção de um sistema financeiro mais moderno, sólido e inclusivo.
O governador destacou ainda os avanços registados por Moçambique na modernização das infra-estruturas de pagamentos, apontando como exemplos a aprovação da nova Lei do Sistema Nacional de Pagamentos e a implementação da plataforma METIX, que permite transferências bancárias em tempo real entre instituições financeiras. “A confiança é o activo mais importante”, afirmou Rogério Zandamela, apelando às fintechs e demais participantes para aliarem ambição, responsabilidade e prudência no desenvolvimento das suas soluções tecnológicas.
Na ocasião, o governador incentivou igualmente o cumprimento rigoroso dos requisitos regulamentares e de licenciamento estabelecidos pelo banco central, sobretudo em iniciativas voltadas à inclusão financeira e acessibilidade, incluindo soluções destinadas a pessoas com deficiência visual. Por sua vez, o presidente da Associação Moçambicana das Fintechs, João Gaspar, considerou que o sector tem registado progressos significativos nos últimos anos, destacando a possibilidade de as primeiras fintechs integrarem a SIMOrede, medida que, segundo afirmou, poderá impulsionar soluções financeiras mais integradas, inclusivas e alinhadas aos padrões internacionais.
Em representação das fintechs participantes na sexta edição do programa, Oldemiro Baloi agradeceu ao banco central pela criação de um ambiente que, para além de servir como espaço de testes, funciona também como plataforma de aprendizagem e amadurecimento de modelos de negócio inovadores voltados à inclusão financeira. Com o lançamento da nova edição do Sandbox Regulatório, o Banco de Moçambique pretende continuar a estimular o surgimento de soluções tecnológicas capazes de ampliar o acesso aos serviços financeiros e acelerar a transformação digital do sector no país.








