O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, defendeu que o conhecimento continua a ser um dos pilares fundamentais para a consolidação da cidadania, o fortalecimento das instituições e a promoção do desenvolvimento sustentável, ao intervir na cerimónia de reabertura da Mediateca do BCI, na cidade de Maputo, um espaço que surge renovado e equipado para responder às exigências de uma sociedade cada vez mais dependente de informação, inovação e da formação permanente.
Perante uma audiência composta por estudantes, investigadores, professores, dirigentes do sector financeiro e representantes da sociedade civil, o antigo Chefe de Estado procurou enquadrar o significado da iniciativa numa perspectiva mais ampla, associando-a aos desafios que Moçambique enfrenta na construção de uma sociedade mais qualificada e preparada para responder às transformações globais.
“Esta cerimónia não é sobre uma pessoa, mas sobre uma ideia: a convicção de que o conhecimento transforma vidas, fortalece a cidadania e contribui para o desenvolvimento das nações”, afirmou Joaquim Chissano, sublinhando que o verdadeiro valor do projecto reside na sua capacidade de criar oportunidades de aprendizagem e de participação social.
Ao longo da sua intervenção, o antigo estadista insistiu na necessidade de o país continuar a investir em educação, investigação e inovação como instrumentos indispensáveis para a consolidação da independência e para o reforço da competitividade nacional num contexto internacional cada vez mais exigente.
“A independência deve caminhar acompanhada pela procura contínua do saber, da criatividade e da capacidade de responder aos desafios de cada geração”, acrescentou, numa mensagem que encontrou eco entre vários participantes presentes na cerimónia.
As declarações de Joaquim Chissano surgem num contexto em que os debates sobre qualidade da educação, acesso ao conhecimento e inclusão digital assumem crescente relevância nas estratégias de desenvolvimento adoptadas pelos países africanos.
Embora Moçambique tenha registado progressos significativos no alargamento do acesso ao ensino nas últimas décadas, persistem desafios relacionados com a qualidade da aprendizagem, a disponibilidade de recursos educativos e a formação de capital humano especializado.
Foi precisamente nesse enquadramento que vários intervenientes destacaram o papel que espaços complementares de aprendizagem podem desempenhar na redução das desigualdades de acesso ao conhecimento.
A Mediateca do BCI, agora designada Espaço Joaquim Chissano, procura posicionar-se como uma plataforma aberta ao desenvolvimento de actividades educativas, culturais e científicas dirigidas a diferentes segmentos da população.
A renovação das instalações permitiu introduzir novas ferramentas tecnológicas, melhorar as condições de acolhimento dos utilizadores e ampliar a diversidade de serviços disponibilizados ao público.
Mais do que uma biblioteca convencional, o espaço passa a funcionar como um centro multifuncional dedicado à promoção da leitura, da investigação, da formação e da cidadania.
As novas valências incluem áreas destinadas à realização de seminários, workshops, palestras, exposições, apresentações culturais e lançamentos de obras literárias.
Foram igualmente criadas condições para a implementação de programas de apoio académico dirigidos a estudantes provenientes de contextos sociais mais vulneráveis.
Os responsáveis acreditam que estas iniciativas poderão contribuir para reduzir algumas das barreiras que continuam a limitar o acesso de muitos jovens ao conhecimento e à formação complementar.
Durante a cerimónia, o Presidente da Comissão Executiva do BCI, Francisco Costa, afirmou que a reabertura da Mediateca representa a continuidade de uma visão institucional que acompanha o banco desde os seus primeiros anos de actividade.
“Estamos a celebrar a continuidade de um compromisso que o BCI mantém há quase três décadas com a educação, a cultura, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável de Moçambique”, declarou.
Segundo Francisco Costa, o investimento realizado reflecte a convicção de que o desenvolvimento económico não pode ser dissociado do desenvolvimento humano e da valorização das capacidades dos cidadãos.
O gestor considerou que as instituições privadas possuem um papel relevante na criação de oportunidades de aprendizagem e na promoção da inclusão social, sobretudo em áreas onde os desafios permanecem significativos.
Na sua perspectiva, o fortalecimento das competências da população constitui um dos factores decisivos para assegurar a competitividade da economia moçambicana no futuro, por isso, o responsável destacou que o novo espaço foi concebido para responder às necessidades de públicos diversos, desde estudantes do ensino secundário até investigadores e profissionais em formação contínua.





