Numa iniciativa que abrange pacientes provenientes de sete distritos de Cabo Delgado, mais de 40 mulheres afectadas pela fístula obstétrica beneficiaram de tratamento cirúrgico durante uma campanha realizada no Hospital Provincial de Pemba, de 24 a 28 de Agosto. A campanha foi promovida pelo Serviço Provincial de Saúde, em parceria com a Associação Mama Salama e a Hava Saúde, com o objectivo de ampliar o acesso ao tratamento especializado para mulheres que vivem com esta complicação de saúde.
Por: IsocNews/Cabo Delgado
A fístula obstétrica é uma complicação que pode surgir na sequência de um parto prolongado ou difícil, provocando uma comunicação anormal entre a bexiga ou o recto e a vagina. A mulher afectada pode passar a perder urina ou fezes de forma involuntária, situação que pode comprometer não só a sua saúde, mas também a sua vida familiar e integração na comunidade.
De acordo com as autoridades de saúde, entre os factores associados ao surgimento da fístula estão as complicações durante o parto, gravidezes precoces, casamentos prematuros e partos realizados fora das unidades sanitárias. A dificuldade de acesso aos serviços de saúde também pode levar ao atraso no diagnóstico e tratamento.
A Médica-Chefe Provincial de Cabo Delgado, Eugénia Assuse, explica que a campanha foi aberta a mulheres afectadas pela doença provenientes de qualquer distrito da província. “Esta campanha será oferecida para toda a mulher que tenha uma fístula obstétrica de qualquer parte da província”.
A campanha realizada em Pemba constituiu a segunda intervenção do género promovida este ano em Cabo Delgado. A primeira decorreu em Março, no Hospital Rural de Montepuez, onde 31 mulheres beneficiaram de tratamento. A responsável aponta igualmente os partos realizados fora das maternidades como uma das situações que podem aumentar o risco de complicações obstétricas.
Para além da cirurgia, os profissionais de saúde chamam atenção para a necessidade de acompanhamento durante o período de recuperação. O médico obstetra Armando Jorge de Melo, coordenador nacional do Programa de Fístulas Obstétricas no Ministério da Saúde, explica que os primeiros dias após a intervenção exigem cuidados médicos e vigilância da evolução das pacientes.
Segundo o especialista, as mulheres operadas devem permanecer sob cuidados hospitalares durante cerca de 15 dias, antes de regressarem às suas comunidades. Depois desse período, as pacientes devem regressar à unidade sanitária para consultas de controlo e seguir as orientações dadas pela equipa médica. Durante a recuperação, devem evitar relações sexuais, de modo a favorecer a cicatrização e reduzir o risco de complicações.
As pacientes atendidas são provenientes dos distritos de Mocímboa da Praia, Quissanga, Montepuez, Balama, Namuno, Chiúre e Pemba. A intervenção contou com uma equipa médica especializada no tratamento cirúrgico de fístulas obstétricas.
A realização destas campanhas permite identificar mulheres que, em alguns casos, permanecem durante longos períodos sem tratamento. Para além da recuperação física, a correcção da fístula pode contribuir para melhorar a qualidade de vida das pacientes, recuperar a sua autonomia e facilitar o regresso à convivência familiar e comunitária.
O sector da saúde apela às mulheres que apresentem perda involuntária de urina ou fezes após o parto para que procurem uma unidade sanitária. A orientação é que os casos sejam identificados e encaminhados para tratamento especializado, uma vez que a fístula obstétrica pode ser tratada.



