A falta de latrinas está a levar moradores do bairro de Paquitequete, na cidade de Pemba, a recorrer à praia para fazer necessidades fisiológicas, uma situação que preocupa a população local e suscita alertas sobre os riscos para a saúde pública e o ambiente. Em diferentes pontos do bairro, algumas famílias vivem sem instalações sanitárias adequadas. Os moradores explicam que a construção de latrinas também enfrenta limitações devido às características do solo, que dificultam a conservação das estruturas.
Por: IsocNews/Cabo Delgado
De acordo com os residentes entrevistados recentemente, algumas latrinas construídas pelas próprias famílias acabam por se degradar em pouco tempo, deixando os agregados novamente sem condições básicas de saneamento. Na ausência de alternativas, parte da população recorre à praia.
Amina Sadique, moradora de Paquitequete, confirma a situação e aponta a fragilidade das estruturas como uma das dificuldades enfrentadas pelas famílias. “Não temos latrinas e, quando são construídas, acabam por destruir-se”, conta.
A ausência de instalações sanitárias tem igualmente consequências na privacidade dos moradores. Mulheres e crianças estão entre as pessoas que enfrentam maiores constrangimentos, sobretudo quando precisam de procurar espaços afastados das zonas habitacionais para fazer as suas necessidades.
Felisberto Saide diz que, em algumas ocasiões, os moradores são obrigados a improvisar formas de preservar a privacidade. “É muito complicado viver nessas condições, mas arranjamos maneiras de puder fazer as necessidades”, afirma.
O residente defende uma intervenção das autoridades para a construção de latrinas adequadas às condições do bairro. “Pedimos apoio para a construção de latrinas resilientes”, apelou. Ademais, os moradores afirmam que o problema é antigo e que a utilização da praia para necessidades fisiológicas tem contribuído para a presença de dejectos em determinadas zonas da costa.
Outro entrevistado Abdala Saide considera que a situação está a afectar as condições de higiene e a imagem da praia. O munícipe defende que a intervenção das autoridades deve priorizar a criação de alternativas para a população, antes do reforço das medidas de fiscalização.
A utilização da zona costeira para necessidades fisiológicas preocupa também o ambientalista Fitina Gomes. Para além da questão do saneamento, o especialista considera que a prática pode representar riscos para a saúde pública e para a qualidade ambiental da zona.
Segundo Gomes, a deposição de dejectos em espaços abertos pode contribuir para a contaminação do ambiente e criar condições favoráveis à transmissão de doenças. O problema torna-se ainda mais relevante numa área costeira, onde a circulação de pessoas e as condições naturais podem contribuir para a dispersão dos resíduos. “Essa actividade é um claro atentado à saúde pública e ao ambiente”, disse
O ambientalista defende, por isso, uma intervenção que não se limite à construção de latrinas, mas que tenha em conta as características do terreno e a necessidade de garantir a durabilidade das infra-estruturas.
Na sua avaliação, a adopção de técnicas de construção adaptadas às condições locais poderá evitar a destruição recorrente das latrinas e reduzir a dependência da população em relação à praia. Pelo que disse que “é preciso usar métodos de construção resilientes para resolver o problema”.
Gomes considera ainda importante que a resposta seja estruturada de forma a evitar que a situação se prolongue para as gerações futuras, envolvendo as autoridades responsáveis pelo saneamento, estruturas municipais e a própria comunidade.
Para os moradores, a prioridade é a criação de condições sanitárias que correspondam à realidade do bairro. A construção de latrinas resistentes e acessíveis é apontada como uma das principais medidas para reduzir a utilização da praia e melhorar as condições de higiene da população.
O problema de Paquitequete evidencia, assim, os desafios ainda existentes no acesso ao saneamento básico. Para além de afectar a dignidade e a privacidade das famílias, a ausência de instalações sanitárias adequadas pode criar impactos sobre espaços de uso comunitário e sobre o ambiente. Enquantom isso, os residentes aguardam uma resposta das autoridades que permita resolver o problema de forma duradoura e adequada às condições do bairro.



