Autoridades migratórias do Zimbabwe deportaram para Moçambique, 11 moçambicanos indocumentados dos quais 8 crianças e três adultos, somando um total de 95 menores deportados nos últimos sete meses através da fronteira de Machipanda, na província de Manica.
A mendicidade, comércio informal e situações de pobreza são apontadas como sendo as principais causas de entrada de menores naquele país vizinho sem a documentação necessária. As crianças provenientes dos Distritos de Manica, Nachaze e Mosurise, foram recebidas pelas autoridades em Manica, Direção Provincial de Gênero, Criança e Ação Social, Procuradoria Provincial e pela Direção Provincial de Migração.
Em entrevista, João Timóteo de 16 anos de idade natural do posto Administrativo de Dombe, distrito de Sussundenga, conta ter entrado naquele país vizinho através da montanha próxima à fronteira de Machipanda com o intuito de garantir o sustento do seu avô com quem vive depois de perder os pais.
No Zimbabwe, Timóteo diz que ficou alojado na cidade de Mutare onde vivia com um conhecido e lavava carros que lhe rendiam 1500mt por dia e com o valor comprava roupa e enviar dinheiro para o seu avô em Sussundenga.
Já Kenny Juliasse, de 15 anos de idade, conta que entrou naquele país vizinho do posto de travessia da fronteira de Machipanda. “Para entrar no Zimbábue passei da fronteira e peguei 40mt. Lá vendia ovos e mandava o dinheiro para casa”, conta.
O porta-voz da Direcção Provincial de Migração em Manica, Abílio Mate, disse que os cidadãos por sinal oito menores e dois idosos, foram deportados por permanência ilegal naquele país vizinho, após serem interpretados pelas autoridades migratórias do Zimbabwe.
Com a deportação deste explicou Mate, os menores são deportados após serem encontrados em situação ilegal, por entrega, violação da fronteira e permanência irregular. “Este trabalho está feito pelas autoridades do Zimbabwe como forma de desencorajar e entra e a permanência ilegal dos cidadãos naquele país vizinho”, anotou.
Na sequência, Mate apontou que os distritos de Mossurise, Manica e Sussudenga são os pontos que mais registam a saída de menores com destino ao Zimbabwe, para praticar a mendicidade nas ruas das principais cidades do país e comércio informal, o que muitas vezes acabam colocando os menores em conflito com a lei.
O trabalho infantil e recorrentes casos de entrada de menores no vizinho Zimbabwe que acabam deportadas soma um número cada vez mais preocupante pelo que para mitigar a situação Abílio Mate, fez saber que a Direção Provincial de Migração, em Manica, vai intensificar as acções de mobilização comunitária com vista a sensibilizar os líderes comunitários e as comunidades locais sobre a necessidade de proteger mais a criança e evitar coloca-las em conflito com a lei.



