A taxa de estigma interiorizado entre pessoas que vivem com HIV em Moçambique caiu de 56%, registados no primeiro estudo realizado em 2003, para 21% actualmente, anunciou, esta segunda-feira, 12 de Outubro, o Ministro da Saúde, Ussene Isse. O governante falava durante a cerimónia de lançamento do relatório do estudo sobre o índice de estigma e discriminação de pessoas vivendo com HIV, ocasião em que destacou os progressos alcançados pelo país, embora tenha reconhecido que o resultado continua distante da meta global de menos de 10%.
Segundo os dados apresentados, cerca de 95% das pessoas que vivem com HIV conhecem o seu estado serológico e a mesma proporção inicia o tratamento, enquanto a cobertura da terapia antirretroviral se mantém acima dos 90%. Apesar destes avanços, o relatório indica que 5% dos entrevistados sofreram discriminação por parte de profissionais de saúde, além de casos de violação da confidencialidade e abusos verbais. Perante estes dados, Ussene Isse defendeu tolerância zero a práticas discriminatórias e apelou ao envolvimento conjunto de diferentes sectores para acelerar a redução do estigma.
O relatório deverá orientar os próximos ciclos de planificação estratégica nacional, com vista ao reforço da resposta ao HIV e à protecção dos direitos humanos das pessoas que vivem com o vírus. A redução do estigma de 56% para 21% representa uma diminuição de 35 pontos percentuais desde 2003, mas o país ainda precisa de reduzir o indicador em mais de metade para atingir a meta global de menos de 10%, reforçando as acções de sensibilização, a confidencialidade nos serviços de saúde e o respeito pela dignidade dos cidadãos.



