A ambiciosa meta da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de lançar a moeda única eco até 2027 está sob forte escrutínio, não apenas por razões técnicas, mas também políticas.
A recente saída do Burkina Faso, Mali e Níger, em janeiro de 2024, abalou a confiança na coesão do bloco e trouxe incertezas sobre a capacidade de manter um projeto que exige disciplina e solidariedade entre os membros.
A introdução do eco foi pensada como um passo decisivo para impulsionar a integração económica regional e reduzir a dependência do franco CFA, usado por oito países francófonos da região.
Contudo, especialistas alertam que a união monetária sem estabilidade política e institucional pode transformar-se num risco para todos os Estados envolvidos.
Segundo o economista Tsonam Akpeloo, a ausência de consenso político é um dos maiores entraves. “Uma moeda comum requer mais do que convergência económica. É preciso confiança, compromisso político e alinhamento estratégico, algo que, neste momento, a região não demonstra de forma clara”, afirmou.
Além da instabilidade política, a divergência económica entre países é gritante. Economias como a Nigéria e o Gana enfrentam inflação de dois dígitos e elevados níveis de dívida pública, enquanto Estados menores lutam para cumprir critérios básicos de convergência. “Como criar uma política monetária única em cenários tão desiguais?”, questiona Akpeloo.
Outro ponto sensível é a possibilidade de as maiores economias dominarem a nova estrutura. Nigéria, por exemplo, representa cerca de 70% do PIB regional. “Há um receio real de que a moeda se torne um instrumento de poder político e económico para os mais fortes, em detrimento dos mais frágeis”, advertiu a jornalista Fatou Elika Muloshi.
Apesar disso, os defensores do projeto argumentam que o eco poderá fortalecer a posição da África Ocidental em negociações internacionais. “Com uma moeda unificada, a CEDEAO poderá ter uma voz mais forte em fóruns globais como o FMI e a OMC”, defende Akpeloo, destacando que o sucesso do projeto depende de disciplina fiscal e reformas profundas.
Para já, a CEDEAO insiste que o cronograma se mantém. O presidente da organização, Omar Alieu Touray, reafirmou em julho a meta de 2027, embora admita obstáculos. “Estamos cientes dos desafios, mas acreditamos que a moeda única é essencial para a competitividade da nossa região”, declarou.
Com divisões políticas, fragilidade económica e receios de hegemonia, a grande questão permanece: será o eco um símbolo de integração ou um risco para a estabilidade financeira da África Ocidental?