Na província de Sofala, criadores de gado bovino estão a recorrer à compra de antibióticos em farmácias privadas para tratar doenças que afectam os seus animais, numa altura em que o setor enfrenta escassez de vacinas veterinárias.
Segundo produtores, a falta de assistência veterinária regular e as dificuldades de acesso a medicamentos específicos para uso animal obrigam muitos criadores a procurar alternativas para evitar perdas no efectivo pecuário.
Albano Machute, criador de gado na cidade da Beira, afirma que a aquisição de antibióticos e desparasitantes em farmácias privadas tornou-se uma das poucas opções disponíveis.
“Não tem sido fácil. Com a escassez de vacinas na zona centro, temos comprado medicamentos em algumas farmácias privadas. Não é a assistência que normalmente recebíamos através das campanhas promovidas pelo Governo. As medicações que adquirimos são básicas ou preventivas, como antibióticos e desparasitantes, para manter os animais saudáveis”, explicou.
Machute refere que os preços dos antibióticos variam entre 350 e 700 meticais. “Mesmo sem condições favoráveis, temos de recorrer a estes medicamentos porque não há alternativas. Com a falta de vacinas já perdi cinco vitelos”, lamentou, acrescentando que a última compra custou 490 meticais.
Por sua vez, o delegado pecuário e técnico profissional dos Serviços Distritais de Actividades Económicas de Dondo, Tomás Ernesto, revelou que Sofala durante o lançamento da campanha de vacinação animal que teve lugar na localidade de Mutúa recebeu apenas 600 doses da vacina contra o carbunco sintomático e mil doses contra o carbunco hemático.
“Mil doses são insuficientes para um efetivo de quase seis mil animais. Precisaríamos de 4.180 doses para o carbúnculo hemático e 2.035 para o carbúnculo sintomático”, explicou, que as vacinas são administradas em quatro meses ao ano com o tempo de vigência 30 dias.
O responsável, contou que as zonas com maior concentração de gado bovino são os postos administrativos de Savane, Canhandula. Mafambisse, onde se localizam grandes explorações pecuárias.
Ernesto esclareceu ainda que as vacinas obrigatórias são importadas pelo Estado, situação que condiciona a sua disponibilidade no país. “Se o criador tiver condições financeiras para importar a vacina, o Estado não impede, uma vez que se trata de uma vacina obrigatória”, afirmou.
O técnico destacou que, atualmente, muitos produtores recorrem sobretudo a medicamentos para tratamento preventivo e curativo, enquanto a vacinação continua dependente da capacidade de importação e distribuição das autoridades competentes.
Apesar das limitações, os serviços veterinários asseguram que não há registo de surtos de doenças animais em Sofala durante o presente ano. Em 2025, a província enfrentou um surto de dermatose modular, que levou à interdição temporária da circulação de animais para reprodução, sendo permitida apenas a entrada de animais destinados ao abate e devidamente inspecionados.
Enquanto isso, especialistas em saúde animal alertam, entretanto, que o uso de antibióticos sem diagnóstico adequado pode favorecer a resistência antimicrobiana, comprometer a eficácia dos tratamentos e representar riscos para a saúde pública.
Os técnicos defendem que qualquer tratamento deve ser realizado sob orientação profissional, respeitando as doses recomendadas e os períodos de segurança antes do consumo da carne ou do leite.
Face à situação, os criadores apelam ao reforço da assistência veterinária nas comunidades rurais e à disponibilização de vacinas e medicamentos veterinários a preços acessíveis, de modo a garantir a saúde do efetivo pecuário e a segurança alimentar das populações.




