Trata-se de 200 alunos da Escola Secundária de Chissano, no distrito de Limpopo, na província de Gaza, que receberam no último sábado kits escolares e livros doados pela Associação 233 Fit Pack uma iniciativa que, para muitos estudantes, representa muito mais do que material escolar, revela uma oportunidade concreta de acesso ao conhecimento num distrito onde os recursos educativos continuam a ser escassos.
A escola recebeu 80 livros destinados a reforçar a biblioteca e 108 pastas com material escolar diverso, uma iniciativa que, segundo Rita Freitas, representante da Associação 233 Fit Pac, constitui um incentivo a busca pelo saber para os alunos que apostam em cursos profissionalizantes por isso apela para o redobrar de medidas de conservação do material oferecido.
O apelo à conservação do material não é casual, surge num momento onde os recursos são escassos e a reposição depende da generosidade de terceiros, e cada livro que se deteriora precocemente é uma perda que dificilmente será compensada em curto espaço de tempo, aliás, esta foi a mensagem central na cerimónia de entrega: “o material entregue deve durar e beneficiar outros alunos no futuro”.
Pack Santos, membro da associação, explicou que a iniciativa se enquadra nas acções anuais desenvolvidas pela instituição para responder às necessidades das crianças. Segundo o responsável, o programa deverá alcançar cerca de 600 beneficiários, numa demonstração clara de que Chissano é apenas uma etapa de um projecto com maior abrangência. “Temos a expectativa de que a entrega dos livros contribua para uma mudança positiva na vida dos alunos”, sublinhou.
O evento contou com a presença do administrador do distrito de Limpopo, Virgílio Mulhanga, o que prova o reconhecimento institucional do papel que as organizações da sociedade civil desempenham em locais onde o Estado ainda não reúne condições de acesso.
Mulhanga destacou os esforços dos parceiros que considera serem estratégicos nos sectores da educação e da assistência social, salientando que “os livros poderão apoiar os estudantes nas futuras decisões profissionais sobretudo num distrito onde os cursos de curta duração predominam e onde uma biblioteca bem equipada pode fazer a diferença na formação de uma geração”.
Do lado dos beneficiários, Eduilda Chiconela, estudante da 9.ª classe, não escondeu o sentimento de alegria pelo apoio recebido, prometendo que “juntamente com os colegas, irei zelar pelos livros e pelo restante material escolar”.
Iniciativas como estas trazem à tona a realidade de muitas regiões em Moçambique onde o acesso a informação por meio de bibliotecas ou escolas mostra-se desafiador para o Governo o que alimenta uma dependência crescente de parceiros.






