A educação financeira está a afirmar-se como uma das principais apostas para reduzir a informalidade da economia e aproximar milhares de pequenos empreendedores do sistema bancário. A estratégia é defendida por Jerson Tembe, analista financeiro de uma instituição financeira, que considera a falta de informação um dos maiores entraves à inclusão financeira em Moçambique.
Falando à IsocNews, Jerson Tembe afirmou que muitos cidadãos continuam afastados dos serviços bancários por desconhecerem as vantagens da formalização dos seus negócios e da utilização dos produtos financeiros disponíveis.
Na sua perspectiva, a literacia financeira deve anteceder qualquer processo de inclusão, uma vez que o conhecimento permite aos empreendedores tomar decisões mais conscientes e sustentáveis. “Nós queremos levar educação financeira às pessoas. Antes de falar de produtos bancários, é preciso explicar como funciona o sistema financeiro e quais são os benefícios de fazer parte dele”, afirmou.
Segundo explicou, a iniciativa não foi concebida exclusivamente para os vendedores dos mercados, abrangendo igualmente pequenos comerciantes, prestadores de serviços e todos os empreendedores que exercem actividade económica de forma informal.
O analista observou que muitos operadores movimentam diariamente valores consideráveis, mas permanecem fora do sistema financeiro, limitando as possibilidades de crescimento dos seus negócios.
“Sabemos que há pessoas que fazem grandes negócios, mas continuam na informalidade. O nosso objectivo é ajudá-las a formalizar as suas actividades e a integrarem-se no sistema bancário”, sublinhou.
Para Jerson Tembe, a formalização representa um passo decisivo para aumentar a credibilidade das empresas e facilitar o acesso ao crédito, ao investimento e a outras soluções financeiras. Acrescentou que um negócio formalizado reúne melhores condições para estabelecer parcerias comerciais, participar em concursos públicos e beneficiar de oportunidades de expansão.
O responsável recordou que um dos compromissos assumidos pela instituição financeira desde a sua criação consiste precisamente em contribuir para a redução da economia informal. Esse compromisso passa não apenas pela disponibilização de serviços financeiros, mas também pela capacitação dos cidadãos para utilizarem esses instrumentos de forma consciente.
“Não basta abrir contas bancárias. É preciso garantir que as pessoas compreendem como funcionam os serviços financeiros e como podem utilizá-los para melhorar os seus negócios”, explicou.
Na sua análise, muitos dos receios demonstrados pelos pequenos empresários resultam da escassez de informação sobre o funcionamento do sistema financeiro e das obrigações fiscais, o que leva muitas pessoas a associarem os impostos apenas a custos adicionais, sem compreenderem os benefícios associados.
“Quando alguém entende por que razão paga impostos ou faz descontos para o INSS, deixa de ver essas contribuições apenas como uma obrigação. Passa a perceber que está a investir também na sua protecção futura”, afirmou.
Jerson Tembe salientou que a contribuição para o Instituto Nacional de Segurança Social constitui uma garantia importante para trabalhadores por conta própria e pequenos empresários, sobretudo em situações de reforma ou incapacidade laboral. Pelo que a informação correcta ajuda igualmente a reduzir a desconfiança em relação às instituições financeiras.
Segundo revelou, a instituição já iniciou acções de sensibilização em diversos mercados, envolvendo centenas de operadores económicos interessados em melhorar a gestão dos seus negócios.
Alguns participantes foram seleccionados para beneficiar de programas de formação sobre educação financeira, constituição de empresas e abertura de contas bancárias. “Queremos acompanhar estas pessoas desde o primeiro passo. A nossa missão não termina com a abertura de uma conta. Pretendemos criar condições para que cresçam e consolidem os seus negócios”, declarou.
Além da formação, os participantes recebem orientações sobre organização financeira, poupança, acesso ao crédito e planeamento dos investimentos, instrumentos considerados fundamentais para garantir a sustentabilidade das pequenas empresas.
Na opinião do analista, aproximar os empreendedores do sistema financeiro representa igualmente uma oportunidade para aumentar a arrecadação de receitas públicas e reforçar a transparência da actividade económica.
Defendeu, por isso, que a promoção da educação financeira deve envolver instituições bancárias, entidades públicas e organizações da sociedade civil, numa estratégia conjunta de combate à informalidade.
“Quanto maior for o número de cidadãos financeiramente informados, maior será também a capacidade do país para construir uma economia mais forte, mais organizada e mais inclusiva”, concluiu.
Especialistas consideram que o reforço da literacia financeira poderá desempenhar um papel determinante na integração de milhares de pequenos operadores económicos na economia formal, contribuindo para aumentar o acesso ao financiamento, estimular o investimento e promover um crescimento económico mais sustentável.





