Contribuir para a recuperação das condições de vida das populações afectadas por crises humanitárias em Moçambique é o principal objectivo do projecto RESTORE, que já atingiu 68% de execução nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Gaza. A avaliação foi apresentada na última quinta-feira, em Pemba, pelo director-adjunto de Programas da CARE, Vicente Adriano, durante um workshop que juntou as organizações envolvidas na implementação da iniciativa.
O encontro que pretendia analisar os resultados alcançados e definir prioridades para a fase seguinte do projecto que teve uma duração prevista de seis meses desde a sua implementação em Abril deste ano. O RESTORE concentra as suas acções nas áreas de agricultura e segurança alimentar, saúde, água, saneamento e higiene, abrigo e protecção.
Segundo Vicente Adriano, apesar das dificuldades provocadas pela insegurança, pelo mau estado das vias de acesso e pela falta de combustível, os resultados alcançados até ao momento são considerados positivos.
No sector da agricultura e segurança alimentar, estão a ser disponibilizados insumos agrícolas e assistência humanitária às famílias afectadas pelas cheias em Gaza. Na área da saúde, o projecto apoia a prestação de cuidados primários, em articulação com o Ministério da Saúde e as autoridades provinciais.
Em matéria de água, saneamento e higiene, está prevista a reabilitação de aproximadamente 92 fontes de água, além da abertura de pelo menos 20 novas fontes, com o objectivo de melhorar o acesso das comunidades abrangidas a água segura.
Para o sector de abrigo, o RESTORE aposta na construção de estruturas mais resistentes e duradouras do que os abrigos de emergência. As famílias beneficiárias recebem também kits contendo, entre outros artigos, mantas e redes mosquiteiras.
Na componente de protecção, uma das intervenções consiste em apoiar pessoas que perderam documentos durante situações de emergência, facilitando a sua reposição e, deste modo, o acesso a serviços essenciais.
O projecto é executado por um consórcio que inclui a CARE, Plan International, TIA Fund, Aga Khan Foundation e ADRA, entre outras organizações humanitárias, que trabalham conjuntamente para responder às necessidades das populações afectadas por diferentes crises.
Por sua vez, o delegado do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) em Cabo Delgado, Marques Naba, avaliou positivamente os resultados apresentados, com destaque para a distribuição de kits de abrigo às famílias beneficiárias.
Naba defendeu, contudo, que as comunidades devem participar mais activamente na definição das intervenções humanitárias. Segundo o responsável, a população local possui conhecimento directo sobre os principais problemas e necessidades existentes em cada comunidade.





