A existência de várias construções abandonadas e ruas sem iluminação pública em vários bairros da cidade de Chimoio tem vindo a alimentar a sensação de insegurança entre moradores, que apontam estes espaços como possíveis esconderijos usados por malfeitores para preparar ou consumar assaltos.
Ao cair da noite, algumas ruas tornam-se praticamente intransitáveis. Portanto, a ausência de iluminação tem reduzido a visibilidade deixando os moradores dependentes da luz dos estabelecimentos comerciais, das residências ou dos próprios telemóveis para conseguir atravessar determinados pontos.
É neste âmbito que, segundo relatos colhidos pelo isocNews, alguns assaltantes encontram condições para se esconder e surpreender as vítimas. Sadamo Fernando, morador do bairro 5 na cidade de Chimoio, conta que as casas abandonadas constituem uma das principais preocupações para quem circula à noite. Segundo relata, alguns desses espaços são utilizados como esconderijo por indivíduos que aguardam a passagem de possíveis vítimas.
“Verdadeiramente falando, temos alguns talhões abandonados e não sei onde se encontram os donos, e neste bairro temos pessoas utilizam este espaço para drogar-se e algumas pessoas sofrem violação de todo tipo nos mesmos locais”, relatou Sadamo.
No rol das possíveis causas, Sadamo acrescenta que “as vítimas sofrem violação por falta de iluminação que não temos neste bairro, eu gostaria que o governo ajudasse na intervenção destes espaços, porque não sabemos nada sobre os donos”.
O morador afirma que os telemóveis estão entre os bens mais procurados pelos assaltantes, sobretudo quando as vítimas circulam sozinhas e em zonas pouco iluminadas. A preocupação não se limita às casas abandonadas. Para os moradores ouvidos pelo IsocNews, a falta de iluminação pública agrava o problema ao criar zonas onde a circulação nocturna se torna mais vulnerável.
A combinação entre espaços abandonados e ruas mergulhadas na escuridão é apontada como um dos factores que favorecem a actuação dos criminosos. Marta Paulo, moradora do bairro 4, avança que muitas das vezes a existência de casas abandonadas tem contribuído para aumento de criminalidade.
“Muitas vezes já ouvi relatos de pessoas assaltadas, outras mortas pelos homens-catana, e veja que as tais pessoas, aproveitam-se da falta de iluminação e escondem-se nestas casas, o mais pior é que além de roubar ou levar teus pertences eles matam algumas vítimas”, descreveu Marta.
Numa outra abordagem, Dinis Caetano descreve como a falta de iluminação tem prejudicado as noites em alguns bairros, onde “muitas vezes pessoas já não saem de casa quando chega noite, porque primeiro as pessoas já sabem como Chimoio é, e, segundo o medo já tomou conta, isso devido aos problemas da existência de homens-catana em vários bairros da cidade, embora nos últimos meses parece ter reduzido esse problema”.
Recorda-se que o fenómeno dos chamados “homens-catana” já levou as autoridades policiais de Manica a reconhecerem a existência de focos de criminalidade em Chimoio e a reforçar a patrulha em zonas consideradas críticas. No início deste ano, a Polícia da República de Moçambique (PRM) anunciou operações para combater os grupos suspeitos de envolvimento em assaltos e agressões na cidade.
E, em Janeiro, a Polícia chegou a anunciar a detenção de dez indivíduos suspeitos de pertencerem ao grupo conhecido como “Nhamacatanas”. Entretanto, O problema da criminalidade em Chimoio não é, no entanto novo. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes a 2024 indicam que Chimoio esteve entre os distritos da província de Manica com maior número de crimes registados.
É neste âmbito que os moradores defendem uma intervenção sobre os espaços abandonados e a recuperação da iluminação pública nas zonas consideradas críticas. No entanto, para além do risco de utilização das construções abandonadas por criminosos, estes espaços tem se transformado locais de acumulação de lixo, consumo de substâncias nocivas à saúde e outras actividades que aumentam a percepção de insegurança nas comunidades.
A nossa equipa de reportagem tentou, mas sem sucesso, contactar a Polícia para saber o ponto de situação sobre a criminalidade em Manica. Contudo, para quem vive nestes bairros, o problema é sentido diariamente. A recomendação tem sido sempre evitar determinadas zonas depois de determinado horário, andar acompanhado e não exibir celulares e outros bens, medidas de auto-protecção que, segundo os moradores, passaram a fazer parte da rotina de muitas famílias.




