Adolescente morre soterrado durante actividade de mineração no riacho Madjecadjeca
Um adolescente morreu soterrado na sequência do desabamento de terra durante uma actividade de garimpo no riacho Madjecadjeca, no distrito de Manica, província com o mesmo nome. O acidente aconteceu quando o adolescente de 14 anos se encontrava no interior de uma área de mineração artesanal. De acordo com testemunhas, tinha saído de casa para trabalhar no garimpo, actividade que continua a ser praticada naquela zona, apesar dos esforços das autoridades para travar a mineração ilegal.
Relatos colhidos no local indicam que o adolescente ficou debaixo da terra durante cerca de 40 minutos e tentativas de retirar o menor acabaram sendo frustradas pelo facto de ter sido retirado mas já não apresentava sinais de vida. Testemunhas ouvidos pela nossa reportagem, relatam que têm havido sensibilização por parte dos pais e encarregados de educação de modo a afastar os menores destas actividades, contudo, sem sucesso.
“Os encarregados tentam sempre falar com os miúdos para não entrar neste trabalho, mas eles nunca quiseram ouvir isso, eles são crianças e não sabem como lidar com o garimpo, eles abriram torneira e torneira não é para se abrir neste local”, disse Edson Joaquim, garimpeiro naquele ponto.
O garimpeiro entende que há necessidade de uma maior fiscalização de modo a afastar as crianças desses locais de grande risco e criar condições de segurança nos locais de garimpo. “Eu gostaria que os nossos superiores, controlassem mais isso, para não acontecer mais esse tipo de tragédias, porque se continuar assim, vamos estar sempre a receber informação desta natureza”, disse.
O caso volta a levantar preocupações entre os moradores da região, sobretudo devido aos riscos a que estão expostas as pessoas que entram nas zonas de mineração artesanal sem condições de segurança. Segundo os residentes, o desabamento não constitui um caso único. Há relatos de outros acidentes ocorridos em áreas de garimpo no distrito, alguns dos quais também terão resultado em mortes.
Apesar das intervenções das autoridades, os moradores afirmam que a actividade continua. Em algumas zonas, os garimpeiros entram nos locais onde são feitas escavações e retiram terra em busca de ouro, muitas vezes em condições consideradas perigosas.
“A polícia sempre passa por aqui, inibindo as crianças de realizar o trabalho, elas não querem ouvir, ali onde houve desabamento, estava mal, havia terra em cima e em baixo, entrou aí com bacia dele, e disse que quer trabalhar, mas foi proibido, mesmo eu peço que essas crianças devem ouvir coisa que se fala”, relatou Glória Alexandre, testemunha.
A preocupação da comunidade não se limita à perda de vidas. Os moradores questionam também a capacidade das medidas de fiscalização para impedir que os garimpeiros regressem aos locais depois das operações das autoridades. O novo acidente coloca novamente em discussão a necessidade de reforçar a fiscalização das áreas de mineração artesanal e de encontrar alternativas para as pessoas que dependem do garimpo para sobreviver.
No distrito de Manica, a mineração artesanal é praticada por comunidades que procuram no ouro uma fonte de rendimento. A actividade, porém, envolve riscos associados à abertura de poços sem condições adequadas de segurança, sobretudo quando as escavações são feitas de forma improvisada.
Para a família do adolescente, a procura de rendimento terminou em tragédia. Para a comunidade de Madjecadjeca, fica mais um alerta sobre os perigos de uma actividade que continua a desafiar as medidas de controlo. Enquanto os moradores pedem uma intervenção mais efectiva, permanece a preocupação de que novos acidentes possam acontecer caso a actividade continue nas mesmas condições. Recorde-se que há semanas, houve igualmente um adolescente que perdeu a vida em mesmas circunstâncias.




