Enquanto o sino da escola anuncia mais um dia de aulas, em algumas comunidades da província de Niassa, outro som ganha força, o toque dos tambores, latas e canções tradicionais acompanha pelas práticas dos ritos de iniciação, desvalorizando a formação humana, situação que está comprometer o futuro que algumas crianças e adolescentes visto que acabam por ficar longe das carteiras escolares durante o período lectivo, diz as autoridades governamentais.
Em algumas ruas da cidade de Lichinga por exemplo é notório diariamente neste período de aulas, verficar-se multidão de pessoas com maior destaque para mulheres, adolescentes e jovens empunhados de batuques, latas, roupa esparapados e outros instrumentos tradicionais em momentos de festa, colocando dezenas de crianças diante de uma escolha difícil que é permanecer na sala de aulas ou afastar-se temporariamente da escola para cumprir ritos de iniciação conhecido por unhago, uma prática cultural de grande importância considerada para várias comunidades, mas que, quando realizada durante o período lectivo, levanta preocupações sobre faltas às aulas, recuperação de matérias e aproveitamento pedagógico, em alguns casos até abandonam a escola.
Sem avançar o número real de alunos que abandonaram aulas no presente ano, por estas práticas, o Director Provincial da Educação e Cultura de Niassa, Matias Félix Chapungo, afirmou categoricamente está quarta-feira em Lichinga durante a cerimônia de encerramento da Mesa Redonda, organizada pela Fundação Mecanismo de Apoio a Sociedade Civil (MASC), que, apesar de enorme esforço que o sector da educação e outros actores estão a fazer, a acção continua contribuindo negativamente em algumas comunidades dos distritos da província, sobretudo no período que são realizados avaliações lectiva, colocando em risco o futuro das crianças e o país em geral “Estás práticas nos preocupa muito porque outras crianças até não aparecem à escola por alegadamente estarem a cuidar dos que foram submetidos aquelas cerimónias e outros pura e simplesmente ficam a brincar”, afirmou Chapungo dizendo que, estes casos acontece com anuência dos pais.
Aliás Chapungo, fez saber que ao nível da província, parte dos distritos distacam – se com este tipo de prática com excepção o distrito de Nipepe que, por sinal é um distrito exemplar que pelo menos os alunos não são submetidos nos ritos de iniciação em plena época lectiva, graças a um trabalho intenso de sensibilização das comunidades sobre a importância da educação e formação humana “Vamos continuar a trabalhar com as comunidades para sensibilizar as comunidades sobre a importância da permanência das crianças na escola. A educação é um direito e precisamos encontrar mecanismos para que as práticas culturais sejam respeitadas sem comprometer o calendário escolar e a aprendizagem”, garantiu Chapungo.
Sociedade Civil exige medidas medidas concretas junto às lideranças comunitárias.
A prática de ritos de iniciação na provincia de Niassa tem despertado atenção para os defensores dos direitos das crianças onde a sociedade Civil manifesta a sua preocupação, sobretudo quando a realização ocorre durante o período lectivo onde para além dos dias em que permanecem afastados da escola, os alunos regressam muitas vezes às aulas depois de perderem conteúdos, exercícios, avaliações e actividades importantes para a sua aprendizagem.
A representante da Função MASC ao nível do distrito de Sanga Dina Salvador, considera que o problema não está necessariamente na existência dos ritos, mas no momento em que são realizados e nas consequências que a ausência prolongada pode produzir no percurso escolar das crianças “Nós respeitamos os nossos costumes e queremos que os nossos filhos conheçam a nossa tradição. Mas também queremos que estudem. Quando os ritos acontecem durante as aulas, a criança perde matéria e depois tem dificuldades para acompanhar os outros colegas”, considerou sublinhando que ausência de uma criança durante vários dias significa mais do que uma carteira vazia. Significa uma página que deixa de ser lida, uma explicação que deixa de ser ouvida, um exercício que deixa de ser resolvido e, eventualmente, uma avaliação que deixa de ser realizada.
Já o ponto focal do Comité de Desenvolvimento da Aldeia (CDA), do distrito de Chimbunila Francisca Domingos diz que, combater os ritos de iniciação nas comunidades constitui um desafio visto que os praticantes valorizam mais momentos de transmissão de valores, conhecimentos, responsabilidades e identidade cultural. Contudo, quando coincidem com o calendário escolar, podem provocar interrupções na frequência às aulas e criar dificuldades no acompanhamento dos conteúdos curriculares “Os ritos de iniciação fazem parte da nossa cultura e devem ser respeitados. Mas também reconhecemos a importância da escola. Precisamos conversar com as famílias e com as autoridades para encontrar períodos que não prejudiquem os estudos das crianças”, observou a fonte.
Para a interlocutora, a solução não passa por abandonar os ritos de iniciação, mas por encontrar uma forma de conciliar a tradição com o calendário escolar “Quando o aluno regressa, já perdeu conteúdos importantes. Temos de continuar com o programa e, ao mesmo tempo, procurar apoiar aquele aluno para recuperar. Nem sempre é fácil, porque a turma tem muitos alunos e o professor precisa cumprir o calendário escolar”, assaltou Francisca Domingos.
Por seu turno representante comunitário do distrito de Sanga, Lourenço João afirma que, em comunidades onde os ritos de iniciação mantêm forte valor cultural e social, tem enviado esforços no sentido de realizar encontros com as famílias para estancar os problemas que assola às comunidades “Tentamos persuadir os pais e encarregados da educação para realizarem essas cerimónias no período de férias, mas não estamos a conseguir. Até porque outros nos perguntam se com a ausência dos seus filhos os professores não terão os seus salários em dia”, explicou Lourenço João líder comunitário do distrito de Sanga.
Refira-se que, nos distritos da província de Niassa , o governo, autoridades comunitários e os líderes religiosos estão empenhados na sensibilização dos pais e encarregados de educação e a população em geral para levar a escola às crianças com idade escolar.



