O Banco de Moçambique prevê uma subida generalizada dos preços no primeiro trimestre de 2027, devido a factores internos e externos, apesar das perspectivas de recuperação moderada da economia. O alerta foi lançado pelo governador da instituição, Felisberto Navalha, durante a abertura do 51.º Conselho Consultivo, realizado na província de Tete, onde admitiu a possibilidade de alterações à actual política monetária caso as pressões inflacionárias se agravem.
Segundo Navalha, os riscos internos incluem a evolução da dívida pública e dos atrasados do Estado, os efeitos dos choques climáticos, com destaque para o fenómeno El Niño, e as incertezas relacionadas com a inflação importada. No plano internacional, apontou as tensões geopolíticas no Médio Oriente e na Europa, que podem afectar o comércio, a disponibilidade de bens e os preços dos combustíveis e dos alimentos. “No que respeita aos preços, antecipamos alguma pressão no curto prazo e uma trajectória de desaceleração no médio prazo”, afirmou.
O governador considerou que o crescimento económico continua moderado e insuficiente para melhorar significativamente as condições de vida da população. Depois de uma contracção de 0,2% em 2025, a economia cresceu 1,7% no segundo trimestre de 2026. Quanto à inflação anual, esta passou de 4,41% em Abril para 7,51% em Junho, antes de recuar para 6,31% em Setembro. Navalha defendeu que, além da política monetária, a consolidação fiscal, a melhoria do ambiente de negócios e as reformas estruturais são importantes para sustentar a recuperação e promover o emprego.
No sector financeiro, o Banco de Moçambique reportou indicadores de solvabilidade de 29% e de liquidez de 55% em Setembro, ambos acima dos mínimos regulamentares, enquanto o crédito malparado se situava em cerca de 7%. No mercado cambial, as compras de divisas pelos bancos comerciais atingiram 6,50 mil milhões de dólares até Setembro, mais 859 milhões do que no período homólogo de 2025, enquanto as vendas aos clientes totalizaram 6,41 mil milhões de dólares, um aumento de 718 milhões. Apesar destes volumes, persistem dificuldades de acesso a divisas, embora as reservas internacionais cubram cerca de cinco meses de importações de bens e serviços, excluindo os grandes projectos.
O Banco de Moçambique admite rever a actual orientação da política monetária caso se agravem os riscos sobre os preços. As projecções para 2027 apontam, assim, para um período de pressão sobre o custo de vida no início do ano, num cenário em que a evolução da economia continuará condicionada por factores internos e pela conjuntura internacional.






