O fórum destaca a crescente procura regional de combustíveis, o investimento em infra-estruturas e a colaboração transfronteiriça como factores essenciais para reforçar a segurança energética e o crescimento económico.
Fórum do Corredor da Beira 2026, organizado pela Companhia do Pipeline Moçambique-Zimbabwe (CPMZ), terminou em Livingstone, na Zâmbia, com um apelo a uma cooperação regional mais forte, a um investimento coordenado em infra-estruturas e a parcerias estratégicas para reforçar a segurança de abastecimento de combustíveis e apoiar o crescimento económico em toda a África Austral.
Realizado a 27 de Outubro no Radisson Blu Mosi-Oa-Tunya Livingstone Resort, o fórum reuniu representantes governamentais, decisores políticos, reguladores, investidores, instituições financeiras, operadores de infra-estruturas e líderes do sector para analisar o papel estratégico do Corredor da Beira no abastecimento de combustíveis à Zâmbia, ao Zimbabwe, ao Malawi, ao Botswana e à região do Katanga, na República Democrática do Congo (RDC).
Os debates centraram-se no reforço da competitividade do corredor, na diversificação das rotas regionais de abastecimento de combustíveis e na garantia de que o desenvolvimento de infra-estruturas se traduz em benefícios económicos tangíveis para os mercados que serve.
Expansão das infra-estruturas para responder ao crescimento da procura regional
Um dos principais temas foi a expansão em curso, pela CPMZ, do oleoduto Beira–Feruka, que aumentará a capacidade anual de transporte de três para cinco milhões de metros cúbicos até Dezembro de 2027. O investimento inclui duas estações de bombagem adicionais e representa um passo significativo para acomodar a crescente procura de combustíveis na África Austral.
Patrick Dias da Cunha, Administrador e Director-Geral da CPMZ, sublinhou a importância do investimento de longo prazo e das parcerias da empresa com os governos de Moçambique e do Zimbabwe para promover a integração energética regional.
“As nossas sólidas parcerias com os governos de Moçambique e do Zimbabwe têm sido fundamentais para o sucesso da CPMZ e para a nossa visão comum de desenvolver o Corredor da Beira como uma rota integrada de abastecimento energético regional. Ao reforçarmos as infra-estruturas e ao trabalharmos em estreita colaboração com os nossos parceiros regionais, pretendemos posicionar Harare como um centro de distribuição de combustíveis que sirva os mercados vizinhos, incluindo a Zâmbia, o Malawi, o Botswana e a RDC. A nossa prioridade é traduzir estes investimentos em benefícios práticos para as economias e comunidades que dependem de um abastecimento fiável de combustíveis”, afirmou Dias da Cunha.
Perspectivas de mercado apontam para um crescimento sustentado da procura de combustíveis
Ao apresentar uma perspectiva de mercado intitulada Segurança de Abastecimento num Ambiente Volátil: Apoiar o Crescimento da Procura de Combustíveis na África Austral, Daniel Evans, Vice-Presidente da S&P Global Energy, destacou a crescente procura de produtos petrolíferos refinados na região.
De acordo com as projecções da S&P Global Energy, a procura de combustíveis na Zona de Abastecimento da Beira deverá aumentar cerca de 35%, o equivalente a mais quatro milhões de metros cúbicos, na próxima década, prevendo-se um crescimento adicional para além desse período.
Evans observou ainda que África continua a ser a única região para a qual a S&P Global Energy projecta um crescimento da procura de combustíveis durante as próximas décadas em todos os seus cenários, o que reforça a importância do planeamento de infra-estruturas a longo prazo, da diversificação do abastecimento e do investimento na logística energética regional.
Reforçar a segurança energética e a conectividade regional da Zâmbia
O Professor Ephraim Kabunda Munshifwa, Secretário Permanente – Energia do Ministério da Energia da Zâmbia, sublinhou a importância de um abastecimento fiável de combustíveis para apoiar os sectores mineiro, agrícola, industrial e dos transportes da Zâmbia.
“Enquanto país ligado por terra (land-linked), a Zâmbia depende de ligações eficientes e diversificadas aos portos marítimos da região. Um Corredor da Beira mais forte pode ampliar as nossas opções de abastecimento de combustíveis, melhorar a fiabilidade e apoiar a competitividade das nossas indústrias. No entanto, o aumento da capacidade do oleoduto tem de ser complementado por um investimento coordenado em armazenamento, infra-estruturas de transporte e procedimentos fronteiriços eficientes, para garantir que os benefícios chegam às empresas e comunidades que dependem deste abastecimento”, afirmou o Professor Munshifwa.
Congratulou-se com o programa de expansão da CPMZ e apelou a uma maior cooperação entre a Zâmbia, Moçambique e o Zimbabwe, apoiada por regulação transparente, logística eficiente e investimento comercialmente sustentável.
Transformar o investimento em infra-estruturas em oportunidades económicas
Na intervenção principal, Osam Iyahen, da Africa Finance Corporation (AFC), sublinhou que o sucesso a longo prazo do corredor deve ser medido não apenas pelo aumento da capacidade de transporte de combustíveis, mas também pelas oportunidades económicas que cria.
“O futuro dos corredores económicos de África dependerá tanto das parcerias que ligam as nossas infra-estruturas como das próprias infra-estruturas”, afirmou Iyahen.
Apelou a uma maior coordenação transfronteiriça, ao planeamento integrado de infra-estruturas, ao envolvimento com os grandes clientes industriais e ao investimento em instalações logísticas e industriais complementares.
Do diálogo à acção concreta
O Eng.º Chinguane Mabote, Secretário de Estado no Ministério dos Transportes e Logística de Moçambique, apelou a que as discussões do fórum se traduzam em compromissos concretos. “O valor deste encontro será medido não só pela qualidade dos debates, mas pela nossa capacidade de dar seguimento às oportunidades identificadas e às recomendações formuladas”, afirmou Mabote.
Salientou que a expansão do oleoduto tem de ser acompanhada por melhorias na capacidade portuária, de armazenamento e de distribuição, apoiadas por parcerias público-privadas. Destacou também que a competitividade do corredor depende de custos logísticos mais baixos, tempos de espera mais curtos e serviços fiáveis, assentes numa coordenação mais estreita entre Moçambique, o Zimbabwe, a Zâmbia e os seus parceiros regionais.
O fórum terminou com uma ênfase partilhada na transformação do diálogo em colaboração prática, no reforço das cadeias de abastecimento regionais e na promoção do Corredor da Beira como uma opção competitiva de abastecimento de combustíveis para a África Austral.




