As autoridades judiciais dos Países Baixos executaram um arresto preventivo de bens no valor de 47,3 milhões de euros pertencentes ao grupo portuário Cornelder Holdings e a membros da sua direção. Esta medida cautelar foi adotada no âmbito de uma investigação criminal conduzida pelo Ministério Público holandês e pela autoridade de investigação financeira (FIOD), que apura suspeitas de corrupção e irregularidades ligadas à exploração do Porto da Beira, em Moçambique.
A informação foi avançada pelo jornal económico holandês Het Financieele Dagblad (FD), que indicou que o processo se encontra em fase de instrução e foca-se em possíveis subornos de funcionários públicos estrangeiros. O arresto inclui ativos da empresa e bens privados de dirigentes, servindo como uma salvaguarda para eventuais valores ilícitos enquanto o inquérito decorre, sem que tenham sido tornadas públicas acusações formais até ao momento.
Em reação às notícias, a Cornelder de Moçambique (CdM) emitiu uma nota de esclarecimento a 28 de janeiro de 2026, confirmando ter tomado conhecimento da medida cautelar adotada nos Países Baixos. A concessionária esclareceu que se trata de um arresto preventivo numa fase inicial do processo, o que não configura uma condenação ou juízo de culpa sobre a empresa ou os seus administradores.
A administração da CdM assegurou que a empresa se mantém plenamente funcional, financeiramente estável e operacionalmente autónoma em relação à casa-mãe na Holanda. Segundo o comunicado, as operações portuárias no Porto da Beira decorrem com absoluta normalidade, mantendo-se inalterados a gestão, os programas de investimento e os compromissos assumidos com o Estado moçambicano. A empresa reiterou o seu compromisso com a legalidade e transparência, afirmando que continuará a acompanhar a evolução do processo judicial.







