Médicos não residentes do Hospital Central de Nampula estão a ameaçar paralisar actividades a partir da próxima quinta-feira, em protesto contra atrasos no pagamento de salários, numa situação que expõe fragilidades na gestão do sector da saúde.
A unidade hospitalar, considerada a maior do norte de Moçambique, poderá enfrentar constrangimentos significativos, sobretudo nos serviços prestados fora do horário normal, caso a paralisação se concretize.
A ameaça de greve foi tornada pública através de uma carta divulgada nas redes sociais, na qual os profissionais de saúde exigem a regularização imediata dos salários em atraso.
No documento, os médicos reclamam pagamentos pendentes desde Dezembro de 2023, bem como valores referentes aos meses de Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro de 2024, e ainda Outubro, Novembro e Dezembro de 2025.
Além dos salários, os profissionais exigem igualmente a liquidação de dívidas relacionadas com horas extraordinárias realizadas ao longo de 2023 e 2024, acumulando um passivo que consideram insustentável.
Os médicos alertam que, na ausência de uma resposta concreta por parte do Governo, poderão avançar com o boicote ao trabalho extraordinário, medida que afectaria directamente o funcionamento dos serviços de urgência e assistência fora do expediente.
O delegado provincial da Ordem dos Médicos em Nampula, Tomás Coimbra, confirmou que, a avançar, a greve terá impacto sobretudo nos serviços prestados fora do horário regular na administração pública.
Contudo, Coimbra esclareceu que os profissionais ainda não formalizaram oficialmente a intenção de paralisar actividades junto da organização, o que poderá influenciar os próximos desenvolvimentos do processo.
O impasse levanta preocupações quanto à continuidade e qualidade da assistência médica na região, numa altura em que o sistema de saúde já enfrenta desafios estruturais e elevada pressão de procura.






