O campo das ciências da comunicação e informação em Moçambique passa a contar, a partir desta segunda-feira (25 de Maio), com mais uma obra científica. Trata-se do livro “As Noivas do Homem maduro”, da autoria do professor e pesquisador moçambicano Isaías Carlos Fuel que se propõe a olhar para as narrativas geracionais em torno das uniões prematuras no país através das apropriações midiáticas de meninas das zonas rurais.
É uma obra que carrega um título com uma certa ironia, e não é para menos. É que as noivas do homem maduro, retratadas neste livro não podem ser fruto de uniões prematuras porque na visão de “Tininho”, como é carinhosamente tratado o autor, só é “maduro” o homem que compreende que as questões culturais não podem minar o futuro da criança através do casamento.
O livro que é resultado da sua tese de doutoramento foi concebido através da observação de práticas culturais moçambicanas envolvendo as raparigas de Dombe e Rapale nas províncias de Manica e Nampula, respectivamente, dois pontos com maiores índices de uniões prematuras.
Aliás, Fuel explicou a ISOC News que teve de se deslocar a Rapale para entender de perto os ritos de iniciação daquele ponto do país, que se resumem em ensinar a rapariga como cuidar da casa e do homem dentro do lar, ou seja, um ciclo preparatório da mulher para a fase adulta. Já em Dombe, Fuel foi entender a prática de reservar meninas em tenra idade para o casamento.
“Estas duas práticas me motivaram muito em estudar como é que elas agenciam a forma como é que as pessoas entendem e discutem estas novas narrativas sobre o casamento”, afirmou.
O estudo foi possível mediante a aplicação dos estudos culturais africanos como base teórica porque na perspectiva do autor é importante entender os fenômenos sociais e as apropriações midiáticas feitas pelo indivíduo sob as lentes da cultura.
A obra de 252 páginas sai sob a chancela da Inter Escolas Editores e o seu lançamento foi realizado nas instalações da Escola de Jornalismo na presença de um público composto maioritariamente por docentes e estudantes das ciências da comunicação e informação (Manuel Simão).








