O Presidente da República, Daniel Chapo, defende que Moçambique deve antecipar-se aos efeitos do El Niño, através do reforço da capacidade de produção agrícola, armazenamento de alimentos e preparação das comunidades para enfrentar fenómenos climáticos extremos.
A posição foi apresentada esta Segunda-feira, em Maputo, durante a abertura da 1.ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, onde o Chefe do Estado alertou para a exposição recorrente do país a secas, cheias, inundações e ciclones. Estes fenómenos afectam a produção agrícola e podem dificultar o acesso das famílias aos alimentos.
Para reduzir os riscos, Chapo apontou a necessidade de ampliar os sistemas de alerta precoce, permitindo que as autoridades e as comunidades tenham informação atempada sobre a ocorrência de eventos extremos. A educação das populações sobre prevenção e mitigação dos impactos do El Niño também foi apresentada como uma das medidas necessárias.
O Presidente defendeu igualmente investimentos na gestão dos recursos hídricos e na irrigação, bem como a utilização de tecnologias adaptadas às alterações climáticas. Na sua perspectiva, estas medidas podem ajudar os produtores a manter a actividade agrícola mesmo perante períodos prolongados de seca.
A criação de reservas alimentares constitui outra prioridade apontada pelo Chefe do Estado. O armazenamento, segundo Chapo, pode reduzir o risco de rupturas no abastecimento quando a produção for afectada por eventos climáticos adversos. A melhoria das estradas e de outras infra-estruturas deverá contribuir, por sua vez, para o escoamento da produção e a redução das perdas pós-colheita.
Chapo defendeu, por isso, uma mudança da resposta baseada na emergência para uma estratégia assente na antecipação, prevenção e resiliência. A segurança alimentar, segundo a abordagem apresentada, deve estar articulada com as políticas de agricultura, água, infra-estruturas, saúde e protecção social.
A estratégia deverá contribuir também para a redução da desnutrição crónica infantil, que o Presidente pretende ver baixar de cerca de 37 por cento para 30 por cento até 2029. Para alcançar esta meta, Chapo considera necessário garantir que o aumento da produção seja acompanhado pela disponibilidade de alimentos seguros, diversificados e nutritivos.
O Chefe do Estado considerou ainda que a preparação para os efeitos do El Niño não deve ficar limitada à intervenção governamental. O sector privado, instituições financeiras, sociedade civil, academia e parceiros de cooperação deverão participar na criação de mecanismos capazes de aumentar a produção de alimentos e a resistência do país aos choques climáticos.
Para Chapo, investir na resiliência climática representa também uma forma de proteger o desenvolvimento nacional num país sujeito a sucessivos eventos naturais extremos.






