Artistas na cidade de Maputo defendem aposta na formação académica nas artes e cultura para impulsionar o desenvolvimento do sector. O posicionamento foi apresentado esta quarta-feira na capital moçambicana, durante um evento promovido pela Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) que tinha o objectivo de colocar a memórias históricas de artistas nacionais a disposição dos estudantes.
Subordinado ao tema “25 de junho: Memórias da Nossa Independência com Nossos Artistas”, o evento contou com a participação da cantora Rosália Mboa, a bailarina Pérola Jaime e os actores João Manja e Gilberto Mendes, que partilharam experiências e reflexões sobre os desafios e oportunidades da indústria cultural no país, assim como exortaram os estudantes a aproveitarem as ferramentas disponibilizadas pela academia para impulsionar o desenvolvimento do sector.
Na ocasião, João Manja manifestou preocupação com a valorização dos produtos culturais nacionais, defendendo uma maior aposta na crítica e produção intelectual ligada às artes, colocando a cultura no centro das discussões em fóruns políticos e económicos de modo que diversos actores sociais coloquem este sector nas agendas de desenvolvimento do país.
Por sua vez, Gilberto Mendes destacou o papel da cultura na construção da identidade nacional.
“A cultura é um espaço estratégico para a construção da nossa nação. Nós só podemos construir o que quer que seja no dia em que começamos a puxar a cultura primeiro”, disse.
O artista lamentou ainda a degradação de infra-estruturas culturais existentes no país e chamou a atenção para a reduzida oferta de espaços de exibição artística. “Um país como o nosso não pode só ter duas salas de cinema”, referiu, acrescentando que Moçambique possui um vasto potencial cultural que precisa de melhor aproveitamento.
Durante o debate foram igualmente levantadas preocupações relacionadas com a empregabilidade dos profissionais das artes e a escassez de espaços adequados para a realização de espectáculos.
Intervenientes da plateia defenderam a criação de mais infra-estruturas culturais, incluindo um teatro nacional, e apelaram ao reforço das políticas públicas de apoio ao sector. (Tomás Pindela)






