No distrito de Metuge, província de Cabo Delgado, uma iniciativa ligada ao Projecto AgroVida está a ganhar relevância ao demonstrar como a formação técnica, a mentoria e o acesso a oportunidades económicas podem produzir mudanças concretas na vida das pessoas e na organização da economia local.
O caso de Alima Serafim e de Amimo Carlos Omar tornou-se um exemplo prático de como modelos de cooperação comunitária podem contribuir para a criação de rendimento e para o reforço da autonomia financeira em contextos rurais.
Mais do que uma relação comercial tradicional, a experiência entre ambos revela uma abordagem baseada na partilha de recursos e na criação de condições para que jovens empreendedores possam iniciar actividade sem capital próprio.
Alima Serafim integra o grupo de beneficiários do Projecto AgroVida, tendo participado em diversas acções formativas orientadas para a gestão de negócios, empreendedorismo e planeamento estratégico.
Essas formações permitiram-lhe desenvolver competências práticas que hoje se reflectem na forma como organiza a sua actividade comercial e toma decisões sobre expansão e sustentabilidade do negócio.
Actualmente, Alima actua como agrodealer no distrito de Metuge, dedicando-se essencialmente à comercialização de sementes agrícolas destinadas a pequenos produtores locais, um percurso profissional que tem sido marcado por uma evolução gradual, sustentada na aplicação dos conhecimentos adquiridos durante o processo de capacitação promovido pelo projecto.
Para além da consolidação do seu próprio negócio, Alima começou a explorar formas de contribuir para o desenvolvimento de outros jovens empreendedores da sua comunidade. E foi neste contexto que surgiu a parceria com Amimo Carlos Omar, identificado localmente como “Green Champion”, numa iniciativa que combina confiança, gestão partilhada de riscos e incentivo ao empreendedorismo.
O modelo estabelecido entre ambos consiste na disponibilização de sementes agrícolas por parte de Alima, permitindo que Amimo as comercialize sem necessidade de investimento inicial. “Eu entrego as sementes ao meu Green Champion como uma forma de ajudá-lo a gerar rendimento sem comprometer o meu negócio. O importante é que me devolva o valor que combinámos, a margem de lucro fica para ele”, afirma.
Esta estrutura operacional tem permitido reduzir significativamente as barreiras de entrada no pequeno comércio agrícola, particularmente para jovens sem acesso a capital. Ao mesmo tempo, o modelo tem contribuído para dinamizar a circulação de sementes na comunidade, reforçando o acesso a insumos agrícolas essenciais.
A relação entre ambos é acompanhada por técnicos locais ligados ao programa de empoderamento económico, que monitorizam o desenvolvimento das actividades e prestam apoio sempre que necessário.
Ano de 2025: Um marco importante nos rendimentos
Os primeiros resultados concretos começaram a surgir em 2025, evidenciando o potencial económico do modelo adoptado no distrito de Metuge. Amimo Carlos Omar conseguiu alcançar um lucro estimado em cerca de 35 mil meticais através da comercialização de sementes de milho e feijão nhemba no mercado local.
Este resultado representou não apenas um ganho financeiro imediato, mas também uma oportunidade de reinvestimento em actividades agrícolas de maior escala. Com os rendimentos obtidos, Amimo decidiu investir na abertura de uma machamba com aproximadamente 0,5 hectares destinada à produção de tomate.
A decisão marcou uma viragem importante no seu percurso, permitindo a diversificação das fontes de rendimento e o aumento da sua autonomia económica. O jovem empreendedor reconhece que o processo também lhe proporcionou aprendizagens relevantes em matéria de gestão e organização de negócios.
“Agradeço à Alima pela confiança que deposita em mim. Além do lucro obtido, também aprendi a gerir melhor os negócios”, refere Amimo.
Para além da parceria comercial, o acompanhamento técnico feito por Gilberto Sapili, Oficial de Empoderamento Económico tem desempenhado um papel central na consolidação do projecto no terreno sendo determinante para orientar decisões e ultrapassar desafios operacionais.
O Projecto AgroVida tem vindo a ser implementado com o objectivo de reforçar competências técnicas e promover a inclusão económica em comunidades rurais vulneráveis. A estratégia baseia-se na combinação entre formação, mentoria e criação de redes de cooperação entre beneficiários.
A partilha de recursos, como é o caso de Alima e Amimo, surge como uma das soluções mais relevantes no contexto local em que persistem desafios no acesso a financiamento inicial para o desenvolvimento do empreendedorismo juvenil.



