O relatório mais recente do Secretario Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre crianças e conflitos armados verificou cerca de 552 violacoes graves contra crianças em Mocambique e cerca de 175 casos de recrutamento e uso de crianças por grupos armados, dados apresentados recentemente em Maputo durante as celebrações do Dia da Mão Vermelha em Moçambique, uma data internacional que chama a atenção a sociedade para a necessidade de lutar contra o recrutamento e uso de crianças em conflitos armados.
Os números foram apresentados por Majo Joseph, representante nacional do Instituto Dellaire, que sublinhou o facto de serem maiores em relação aos registados por causa das dificuldades de monitoria e denuncia das violações graves contra as crianças em conflitos armados.
“Estes números não são uma mera estatística, são números que contam uma história, tem rosto e tem vidas reais”, disse Joseph explicando que apesar destes números, o mesmo relatório reconhece e elogia os esforços do Governo de Mocambique em relação a protecção das crianças.
Falando em representação das Organizacoes da Sociedade Civil, Majo Joseph disse que a instituição que representa, junto do Fundo das Nacoes Unidas para a Infancia (Unicef), tem trabalho com as Forças Armadas de Defesa de Mocambique dando formações em matérias de prevenção do recrutamento e uso de crianças em conflitos armados.
“Estamos a trabalhar para garantir que as Forças Armadas tenham o conhecimento e as ferramentas necessárias para ajudar a identificar sinais de alerta previa do recrutamento e uso de crianças compreendendo as suas obrigações ao abrigo do direito internacional e respondam adequadamente quando as crianças forem encontradas durante operações militares”, disse Joseph.
Para o representante da Dellaire, “prevenir o recrutamento e uso de crianças é uma responsabilidade moral e legal de todos nós e não pode ser alcançada apenas por uma instituição ou um sector”, destacando a necessidade de se reconhecer que as crianças não são somente vítimas do conflito mas também podem ser actores importantes da paz nas suas comunidades.
“Felicitamos a Comissão Técnica para o Dialogo Nacional Inclusivo em parceria com o ROSC por ter activamente engajado as crianças nos processos de consultas e temos a certeza que as perspectivas dessas crianças serão transformadas em planos de acções com resultados tangíveis”, concluiu Joseph.




