O desempenho recente das exportações de tabaco em Moçambique revela uma dinâmica contraditória entre o aumento das receitas externas e a perda de robustez na produção interna, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique (BdM), que apontam para uma subida de 16% em 2025, para 258,3 milhões de dólares.
O crescimento surge num contexto em que a produção nacional continua a recuar, colocando em evidência a dependência do país de factores externos, nomeadamente preços internacionais e estratégias de comercialização de grandes operadores do sector. Os números mostram que em 2024 as exportações tinham atingido 217,2 milhões de dólares, enquanto em 2023 ficaram nos 154,2 milhões de dólares, evidenciando uma trajectória de recuperação no valor exportado, ainda que sem correspondência directa na produção agrícola.
O BdM sublinha que o tabaco permanece uma cultura de rendimento relevante, mas com vulnerabilidades estruturais associadas à redução de áreas cultivadas e à instabilidade dos agentes económicos envolvidos na cadeia produtiva.
Em 2025, a produção estimada foi de 72,3 mil toneladas, abaixo das 92,3 mil toneladas registadas em 2024, numa quebra que reflecte não apenas factores climáticos e logísticos, mas também mudanças no perfil de investimento privado no sector.
A área de cultivo situou-se em cerca de 71 mil hectares, reforçando a tendência de ajustamento da actividade agrícola, num cenário em que produtores enfrentam maiores custos e menor previsibilidade de mercado.
No ciclo agrícola de 2022 e 2023, Moçambique registou 76,9 mil hectares de cultivo e 65,9 mil toneladas produzidas, o que representou uma quebra de 15% em relação ao período anterior, sinalizando já uma trajectória de desaceleração.
Apesar da redução produtiva, o valor das exportações continua a crescer, fenómeno que o BdM atribui em grande medida à evolução dos preços internacionais e à reconfiguração da procura global por tabaco. Em 2025, o Governo reconheceu impactos negativos nas receitas fiscais, associando parte da quebra produtiva à saída da British American Tobacco, uma das principais multinacionais do sector, que transferiu operações para a África do Sul.
A saída da empresa alterou o equilíbrio da cadeia de valor, reduzindo capacidade de processamento interno e criando maior dependência de operadores remanescentes no mercado nacional. O BdM conclui que o comportamento do sector deverá continuar a ser condicionado por factores externos e internos, exigindo maior coordenação entre políticas agrícolas e comerciais.



