Um dos mais antigos e emblemáticos espaços verdes da cidade de Maputo, tem sido cada vez mais frequentado por estudantes de instituições de ensino localizadas nas suas imediações. Para além de servir como local de descanso, estudo e convívio, o jardim tornou-se também palco para o consumo de bebidas alcoólicas, sobretudo às sextas-feiras, levantando preocupações sobre a presença de jovens aparentemente menores de idade e o descarte de resíduos no espaço público.
Visitas efectuadas, a nossa equipa de reportagem observou grupos de jovens reunidos dentro do jardim, nas proximidades da avenida Vladimir Lenin esquina com a Zedequias Manganhela. Enquanto alguns consumiam álcool de forma discreta, outros recorriam a recipientes plásticos, como garrafas de água e bebedouros, para camuflar o conteúdo. Outros preferem levar as bebidas nas embalagens originais, deixando posteriormente pacotes, garrafas e outros recipientes espalhados pelo chão.
Alguns dos jovens abordados recusaram revelar as suas idades. Contudo, pelas características físicas, aparentavam ter menos de 18 anos. Um dos entrevistados, que se identificou como aluno do Instituto Industrial 1º de Maio, explicou que o grupo escolhe o Jardim Tunduro pela tranquilidade e pela discrição que o espaço oferece.
“Nós costumamos vir aqui às vezes nas sextas-feiras para conversar e descontrair um pouco. Nem sempre, mas às vezes compramos bebida para intensificar mais o ambiente. Também preferimos beber aqui por ser um sítio calmo e não sermos vistos por muitas pessoas”, afirmou.
Outro aluno, do mesmo grupo, reforçou que nunca foi impedido de permanecer no local, mesmo quando o grupo consome bebidas alcoólicas. “Aqui ninguém nos incomoda. Ficamos muito à vontade com a natureza e a tranquilidade. Também, quando ficamos aqui, ninguém vem falar connosco a dizer para pararmos de vir consumir aqui ou algo parecido”, disse.
Além dos alunos do ensino técnico, a nossa reportagem encontrou estudantes do Instituto Superior de Gestão, Comércio e Finanças (ISGECOF), com idades entre os 21 e 23 anos. Estes afirmaram que, por precaução, costumam transferir as bebidas alcoólicas para recipientes plásticos antes de entrarem no jardim.
Segundo explicaram, a medida procura evitar constrangimentos e possíveis abordagens relacionadas com o porte e consumo de bebidas no espaço.
“Escondemos as bebidas quando estamos aqui. Primeiro porque não sabemos se é ou não permitido o porte e consumo aqui dentro e também porque, às vezes, não queremos ser julgados pelo tipo de bebida que preferimos. Não é bem vista na sociedade. Também não temos como trazer bebidas geladas por causa da conservação e, enquanto conversamos, acabariam por aquecer, por isso optamos pela seca”, relataram.
Os estudantes manifestaram igualmente preocupação com a falta de consciência ambiental demonstrada por alguns frequentadores, considerando que o lixo deixado no jardim prejudica um espaço utilizado por diferentes segmentos da sociedade.
“O mau já é andar a deitar esses pacotes, garrafinhas e mesmo garrafões aqui. Quem faz isso são alunos e nossos colegas. Estão a sujar um local que aproveitamos e que também outras pessoas usam para relaxar, estudar e espairecer”, lamentaram.
A acumulação de embalagens de bebidas alcoólicas e outros resíduos em vários pontos do Jardim Tunduro evidencia um problema que ultrapassa o simples convívio entre estudantes. Para além das preocupações ligadas ao consumo de álcool por cidadãos aparentemente menores de idade, a situação coloca em causa a preservação de um património histórico e ambiental da cidade de Maputo.
Frequentado diariamente por estudantes, trabalhadores e turistas, o Jardim Tunduro continua a desempenhar um importante papel como espaço de lazer e contacto com a natureza. Contudo, os relatos recolhidos e as evidências observadas pela nossa reportagem revelam a necessidade de maior sensibilização sobre o consumo responsável, o respeito pelos espaços públicos e a correcta gestão dos resíduos, de modo a garantir que o jardim permaneça um ambiente seguro, limpo e acessível para todos.



