Redução de financiamento e a insegurança provocada pelo terrorismo está a dificultar as acções comunitárias de prevenção do HIV em Cabo Delgado, numa altura em que a província registou 10.803 pessoas diagnosticadas com HIV no primeiro semestre de 2026, segundo dados apresentados recentemente pelo Director do Gabinete de Combate ao HIV e SIDA, Telles Jemusse.
No período em análise, 433.956 pessoas foram aconselhadas e testadas para o HIV em toda a província, número que representa uma redução de 2% em relação ao igual período de 2025. Apesar da diminuição da testagem, a taxa de positividade manteve-se em 2%.
Jemusse considera, entretanto, que a evolução da positividade nos últimos anos revela progressos na resposta à epidemia. “Se compararmos os últimos cinco anos, vemos uma redução da positividade. Basta lembrar que, a esta altura de 2022, a positividade era de 12%”, explicou.
Os dados indicam, assim, uma redução significativa da proporção de testes positivos em relação aos níveis registados há quatro anos, embora o número de pessoas diagnosticadas continue a representar um desafio para as autoridades de saúde e parceiros envolvidos na resposta ao HIV.
Na área de prevenção, Cabo Delgado continua a apostar na distribuição de preservativos, tendo sido disponibilizados, através da rede de parceiros, 7.539.600 preservativos masculinos durante o primeiro semestre de 2026. O volume, contudo, representa uma redução de 6% face ao mesmo período do ano passado.
Além da distribuição de meios de prevenção, as autoridades têm realizado palestras e actividades de sensibilização em escolas, comunidades, locais de grande concentração de pessoas e junto de populações-chave.
É precisamente neste domínio que, segundo Telles Jemusse, reside actualmente um dos principais constrangimentos à resposta ao HIV na província: a redução das actividades comunitárias devido à falta de financiamento e à situação de insegurança.
“O grande desafio para a área de prevenção prende-se com a redução dos trabalhos comunitários, em resultado da redução do número de organizações comunitárias por falta de fundos”, afirmou o Director do Gabinete de Combate ao HIV e SIDA.
A situação é agravada pela insegurança que afecta algumas zonas da província. De acordo com Jemusse, há também uma redução do número de parceiros a trabalhar nos distritos afectados pelo conflito, devido às questões de segurança.
A limitação da presença de organizações e parceiros nas zonas afectadas pelo terrorismo pode dificultar o alcance das comunidades com mensagens de prevenção, aconselhamento e outros serviços relacionados com o HIV, num contexto em que a mobilidade das populações e dos provedores de serviços de saúde continua condicionada pela violência.
Cabo Delgado continua a enfrentar os efeitos de uma insurgência que afecta a população e a prestação de serviços em várias zonas da província. De referir que a violência continua a provocar deslocações e a limitar o acesso das populações a serviços essenciais.
Apesar dos constrangimentos, as autoridades sanitárias defendem a continuidade das acções de prevenção e testagem, procurando manter os ganhos alcançados nos últimos anos. A redução da positividade de 12% em 2022 para 2% no primeiro semestre de 2026 é apontada como um dos sinais positivos da resposta provincial ao HIV.
O desafio, agora, passa por garantir que a insegurança e a redução do financiamento às organizações comunitárias não comprometam a continuidade das actividades de prevenção, sobretudo nas comunidades mais vulneráveis e nas zonas afectadas pelo conflito.






