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Home Destaques

Governo prepara novas restrições às importações para proteger indústria nacional

Isoc News by Isoc News
setembro 28, 2026
in Destaques, Sociedade
Governo prepara novas restrições às importações para proteger indústria nacional

Depois da polémica em torno das medidas adoptadas no processo de importação de arroz e trigo,
iniciadas em Dezembro de 2025, o Governo prepara novas regras destinadas a proteger a
indústria nacional e reduzir a dependência do mercado externo.


As novas medidas deverão incluir restrições graduais à importação de determinados produtos,
bem como mecanismos de controlo sobre a exportação de algumas matérias-primas consideradas
estratégicas para a produção nacional.


A política em preparação poderá entrar em vigor no próximo ano, segundo anunciou
recentemente o secretário de Estado do Comércio, António Grispoz, durante um encontro com
empresários, em Macoto, Provincia de Niassa.

Grispoz explicou na quarta-feira 23 que o Executivo pretende adoptar uma abordagem que dê
prioridade à produção nacional antes de autorizar a entrada de produtos que já são fabricados
internamente.


“A única coisa que o Governo hoje olhou para vocês é que vocês têm agora uma política de
protecção que nós nunca teríamos há anos”, afirmou o secretário de Estado.
Segundo Grispoz, a intenção é criar mecanismos que permitam reduzir importações sempre que
exista capacidade interna para responder, ainda que parcialmente, à procura do mercado
nacional.


A lógica defendida pelo Governo assenta na utilização prioritária da produção nacional antes de
recorrer ao mercado externo para cobrir as necessidades de consumo.
“Se nós produzimos 10, mas o consumo do país é 20, primeiro vamos consumir 10”, explicou
Grispoz.


A diferença entre a produção nacional e a procura interna deverá, nesse caso, ser preenchida
através da importação dos volumes que o país não consegue produzir.
A medida representa uma mudança na forma de gestão das importações, sobretudo em sectores
onde existe capacidade produtiva nacional.


O secretário de Estado indicou que o sistema de licenciamento deverá igualmente ser revisto para
determinados produtos considerados estratégicos.
“As licenças de importação para produtos estratégicos no próximo ano não serão as mesmas”,
afirmou.

Segundo Grispoz, a atribuição das licenças poderá estar relacionada com o desempenho da
produção nacional e com a capacidade dos operadores de responderem às necessidades do
mercado.


A nova regulamentação em preparação deverá, deste modo, estabelecer uma diferenciação entre
produtos que podem ser fabricados localmente e aqueles cuja importação continuará necessária.
“A ideia é importar aquilo que nós não fazemos”, explicou o governante.


O Executivo pretende ainda que as divisas disponíveis para importações sejam direccionadas
prioritariamente para produtos que o país não possui capacidade de produzir.
“Importar aquilo que faça uma diferença para as divisas que nós precisamos”, defendeu Grispoz.
A medida deverá abranger sectores considerados essenciais para o funcionamento da economia e
para a vida da população.


Entre os produtos que continuarão a depender do mercado externo, o secretário de Estado
mencionou o combustível, medicamentos e equipamentos ou componentes estratégicos.
“Nós não vamos conseguir fazer combustível nos próximos tempos”, afirmou, reconhecendo a
necessidade de manutenção de algumas importações.


O mesmo princípio deverá ser aplicado aos medicamentos necessários ao abastecimento do
sistema nacional de saúde.
“Nós vamos conseguir importar os medicamentos de que precisamos”, explicou, ao indicar que a
política não pretende fechar o mercado nacional às importações.


A estratégia deverá também contemplar equipamentos e peças consideradas estratégicas para
sectores em que a produção nacional ainda não possui capacidade suficiente.
Grispoz procurou, deste modo, distinguir a protecção da indústria nacional de uma política de
proibição generalizada das importações.


A intenção do Governo é reduzir a entrada de bens que podem ser produzidos internamente, ao
mesmo tempo que mantém abertas as portas para produtos essenciais ou que ainda não podem
ser fabricados no país.


O Executivo considera particularmente preocupante a limitada capacidade da indústria nacional
de recuperar a produção de alguns bens básicos.
Entre os sectores referidos durante o encontro com empresários está o vestuário, área onde o país
continua a recorrer significativamente a produtos importados.

O secretário de Estado questionou a dimensão das importações de determinados produtos que, na
sua avaliação, poderiam voltar a ser fabricados pela indústria nacional.
“Estamos a discutir e vamos ter um acordo com os sectores empresariais”, afirmou Grispoz,
numa indicação de que o Governo pretende envolver os empresários na definição das novas
regras.


O sector privado deverá ter um papel central na identificação dos produtos que podem integrar a
futura lista de restrições à importação.
Os empresários deverão indicar quais os bens para os quais a indústria nacional já dispõe de
capacidade produtiva.


Caberá posteriormente ao Executivo avaliar a capacidade existente e determinar em que
segmentos a produção interna pode substituir as importações.
A proposta pretende evitar que as restrições sejam aplicadas de forma indiscriminada, tendo em
conta a capacidade real da indústria nacional.


A definição da lista deverá, por isso, resultar de uma análise conjunta entre o Governo e o sector
privado.
A medida surge depois da controvérsia provocada pelas regras aplicadas à importação de arroz e
trigo, que levantaram preocupações entre operadores económicos e consumidores.


O Executivo procura agora adoptar uma abordagem mais abrangente, capaz de proteger a
produção nacional sem comprometer o abastecimento do mercado.


A prioridade à produção interna poderá também criar novas oportunidades para empresas
nacionais aumentarem a sua capacidade produtiva e conquistarem espaço anteriormente ocupado
por produtos importados.


Para os empresários, o desafio será responder ao espaço criado pelas eventuais restrições com
produtos competitivos em quantidade, qualidade e preço.


O Governo, por sua vez, terá de assegurar que a protecção concedida à indústria seja
acompanhada por condições que permitam aumentar a produção e a competitividade das
empresas nacionais.


A nova política deverá ainda definir mecanismos de acompanhamento da capacidade produtiva
nacional, evitando que restrições à importação provoquem escassez de bens no mercado.


A entrada em vigor das novas regras está prevista para o próximo ano, estando ainda em
preparação os instrumentos que irão determinar os produtos abrangidos e os critérios para o
licenciamento.

O Executivo pretende, assim, transformar a política de importações num instrumento de estímulo
à produção nacional, reservando as divisas para bens que o país ainda não consegue produzir.


A proposta coloca a indústria nacional no centro da política comercial e abre um novo debate
sobre o equilíbrio entre protecção da produção interna, necessidade de importação e defesa do
consumidor.

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