O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta quinta-feira (11 de Junho) uma nova abordagem ao financiamento climático e ao desenvolvimento da economia azul em África, afirmando que o continente não procura caridade, mas sim investimentos e parcerias estratégicas capazes de gerar benefícios mútuos e promover o crescimento sustentável.
A posição foi manifestada na abertura da III Conferência Internacional Crescendo Azul e na inauguração do Centro Regional de Coordenação de Monitorização, Controlo e Fiscalização das Pescas da SADC, eventos que reúnem decisores políticos, parceiros de desenvolvimento e representantes do sector privado para debater o futuro dos oceanos e da economia marítima.
Na sua intervenção, o Chefe do Estado destacou que os oceanos representam uma das maiores oportunidades para o desenvolvimento sustentável do continente africano, defendendo uma economia azul orientada para a criação de emprego, o reforço da segurança alimentar e o fortalecimento da independência económica dos países africanos. Segundo Daniel Chapo, o principal desafio da actualidade consiste em transformar a riqueza dos recursos marinhos em oportunidades concretas para as populações, através da geração de empregos de qualidade e da redução das desigualdades sociais.
O Presidente enquadrou a conferência como um momento decisivo para redefinir a forma como África encara o aproveitamento dos recursos oceânicos, apelando a uma maior coordenação entre governos, parceiros internacionais e sector privado para acelerar a exploração sustentável do potencial marítimo do continente. Ao abordar o papel estratégico dos oceanos no desenvolvimento global, Chapo sublinhou que as economias procuram cada vez mais novas fontes de crescimento sustentável e inclusivo, contexto que reforça a importância da economia azul para os países africanos.
O estadista recordou ainda a histórica ligação do continente ao Oceano Índico, afirmando que os povos africanos sempre encararam o mar como um espaço de oportunidades e de ligação entre culturas. “Quando os nossos antepassados contemplavam o horizonte do Oceano Índico, não viam uma fronteira, mas sim possibilidades”, afirmou.
Referindo-se ao caso de Moçambique, destacou que a história do país foi profundamente moldada pelo mar, salientando o papel dos portos da Ilha de Moçambique, Sofala, Angoche e Inhambane na dinâmica económica, comercial e cultural ao longo dos séculos. Com mais de 2.700 quilómetros de costa, Moçambique reafirmou o compromisso com a utilização sustentável dos recursos marinhos, o combate à pesca ilegal e a promoção de investimentos que permitam transformar o potencial dos oceanos em prosperidade para o país e para a região da África Austral.






