Maputo acolheu a Conferência Internacional sobre o Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, um encontro que reuniu decisores políticos, académicos, parceiros de cooperação, empresários e representantes da sociedade civil para refletir sobre os desafios do desenvolvimento nacional e definir prioridades para as próximas décadas.
Dirigido pelo Presidente da República, Daniel Chapo, o evento teve como propósito fazer o balanço dos progressos alcançados desde a Agenda 2025 e construir uma visão estratégica capaz de impulsionar um crescimento económico inclusivo, sustentável e gerador de oportunidades para todos os moçambicanos.
Na sessão de abertura, Daniel Chapo afirmou que a conferência constitui um momento de reflexão sobre o percurso do país e de definição de compromissos para acelerar o desenvolvimento nacional. “O encontro representa um momento decisivo para avaliar os progressos alcançados desde a Agenda 2025 e definir uma visão comum para o futuro do País”, afirmou
O Chefe de Estado defendeu que Moçambique dispõe de recursos naturais, capital humano e potencial económico suficientes para transformar a sua realidade, desde que haja compromisso colectivo e uma visão de longo prazo. Segundo Chapo, o desenvolvimento deve traduzir-se na criação de emprego, redução da pobreza, aumento da produtividade, industrialização e melhoria das condições de vida da população.
O Presidente acrescentou que as recomendações saídas da conferência deverão integrar a Declaração de Maputo, documento orientador das políticas públicas para os próximos anos, reforçando que o crescimento económico só terá significado se beneficiar todos os cidadãos.
Akinwumi Adesina defende industrialização como motor da transformação
O antigo Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, foi um dos principais oradores internacionais do encontro e centrou a sua intervenção na necessidade de Moçambique transformar os seus recursos naturais em riqueza para a população.
”Moçambique é uma nação de oportunidades extraordinárias, mas o potencial não se transforma automaticamente em prosperidade”, alertou.
Adesina defendeu que o país deve abandonar a lógica de exportação de matérias-primas sem valor acrescentado e investir na industrialização, na agricultura moderna, na inovação tecnológica, no desenvolvimento do capital humano e no fortalecimento das instituições públicas.
Numa das mensagens mais marcantes da sua intervenção, deixou um apelo dirigido aos investidores nacionais e estrangeiros: “Não invistam apenas nos recursos de Moçambique. Invistam na transformação de Moçambique”
Para o economista nigeriano, o futuro económico do país dependerá da capacidade de criar cadeias de valor, gerar empregos qualificados e garantir que os benefícios do crescimento sejam distribuídos de forma mais equitativa.
Prakash Ratilal propõe reformas estruturais para acelerar o desenvolvimento
O economista Prakash Ratilal, antigo Governador do Banco de Moçambique e um dos especialistas convidados para a conferência, apresentou uma comunicação dedicada à visão estratégica de Moçambique para o período 2026 – 2050.
Na sua intervenção, defendeu que o país necessita de uma agenda consistente de reformas estruturais para enfrentar desafios como a pobreza, o desemprego, a baixa produtividade e a limitada diversificação da economia.
Segundo Ratilal, o crescimento económico, por si só, não garante desenvolvimento inclusivo. Para produzir resultados sustentáveis, deve ser acompanhado por instituições fortes, políticas públicas eficazes, melhoria do ambiente de negócios, investimento na educação, inovação, infraestruturas e valorização do sector privado.
O economista sublinhou ainda que Moçambique precisa de preparar a sua economia para responder aos desafios impostos pelas alterações climáticas, pela transição energética, pela transformação digital e pela crescente competitividade internacional, defendendo uma visão de longo prazo que permita converter o potencial do país em prosperidade para as gerações futuras.
Conferência procura transformar recomendações em acções
Ao longo dos painéis, os participantes convergiram na necessidade de acelerar reformas económicas e institucionais, melhorar a governação, promover a inclusão social e assegurar que o crescimento económico resulte em benefícios concretos para a população.
As contribuições apresentadas deverão servir de base para a Declaração de Maputo, documento que sintetiza as recomendações da conferência e pretende orientar as políticas de desenvolvimento do país nas próximas décadas, reforçando o compromisso de Moçambique com um modelo de crescimento inclusivo, sustentável e resiliente.



