Sacos plásticos, restos de alimentos, garrafas e embalagens acumulam-se há dias nas ruas de vários bairros, na cidade de Chimoio. Terrenos convertidos em lixeiras improvisadas e resíduos espalhados nas vias públicas tornaram-se uma realidade que compromete a imagem da cidade e colocando em perigo a saúde pública e dos transeuntes das vias afectadas.
Durante uma ronda feita nos bairros como Josina Machel e 7 de Setembro, foi possível constatar que em vários pontos os resíduos domésticos permanecem por dias sem recolha, chegando a ocupar parte das estradas e a dificultar a circulação de peões e veículos.
Laura Sitoe, moradora do bairro 7 de Setembro, é uma das muitas residentes que vivem diariamente com este problema. Segundo a moradora, o município não recolhe o lixo com a regularidade necessária, deixando os habitantes sem alternativa senão conviver com os resíduos acumulados nas imediações das suas casas.
“Nós podemos ficar muitas semanas sem o município vir recolher lixo, o que acaba causando mau cheiro, e atrai os moradores de rua, o que nos preocupa mais é que nós pagamos a taxa de lixo, mas não há regularidade na recolha”, lamentou.
Por outro lado, o morador José Machil, avança que o caso da fraca recolha de lixo, é um assunto que remonta antiguidade. “Há vários anos que já vivemos com esses problemas de lixo, não é mais novidade, por isso as vezes não reclamamos mais, no entanto é uma situação que preocupa nós como residentes, porque é uma situação que reflete directamente na população”, afirmou Machil.
Já para alguns outros moradores, a solução tem sido armazenar os resíduos e queimá-los dentro das residências. Anacleto Chichava, relatou que muitas vezes tem incinerado os resíduos na própria casa, evitando casos de mau cheiro bem como propiciar acumulo de mosquitos e moscas.
Além do desconforto provocado pelo mau cheiro, técnicos de saúde alertam que a permanência prolongada de resíduos em espaços abertos favorece o aparecimento de doenças. Entre os principais riscos apontados estão as diarreias, as infecções gastrointestinais e a proliferação de mosquitos, vectores de doenças como a malária, que já constitui um problema de saúde pública no país.
Fazial Pascoal, técnico de saúde, alerta que a acumulação de resíduos sólidos em espaços abertos cria condições favoráveis para a proliferação de doenças, o lixo atrai moscas, mosquitos que são transmissores de doenças como malária, a cólera e a febre tifoide.
“A decomposição de resíduos orgânicos contamina igualmente os solos e as aguas, aumentando o risco de doenças diarreicas e infeções sobretudo para crianças, quanto mais tempo os resíduos permanecerem sem recolha, maior é o risco para a saúde pública das comunidades”, acrescentou o técnico.
O crescimento urbano acelerado que Chimoio tem registado nos últimos anos agrava a situação. O aumento da população tem feito crescer a produção diária de resíduos sólidos, colocando novos desafios à capacidade do município, cuja resposta nem sempre acompanha o ritmo de expansão da cidade.
Confrontado com as queixas dos moradores, o Conselho Municipal de Chimoio afirma estar a trabalhar para melhorar a recolha do lixo e a cobertura dos bairros, e avançou que existem projectos juvenis que visam recolher lixo na cidade.
Para os residentes dos bairros Josina Machel e 7 de Setembro, os esforços anunciados ainda não se fazem sentir no terreno. Enquanto a solução não chega, são as famílias continuam a suportar as consequências deste fenómeno em uma cidade que cresce mais depressa do que a sua capacidade de se manter limpa.



