Oito pessoas com deficiência física do distrito de Mandimba, na província do Niassa, passaram a contar com melhores condições de mobilidade após receberem meios de compensação entre eles seis cadeiras de rodas e duas muletas, entregues pelo Governo Provincial, numa cerimónia dirigida pela Governadora Elina Massengele, por ocasião das celebrações do Dia Mundial da População.
A iniciativa foi recebida com entusiasmo pelos beneficiários e suas famílias, que há muitos anos aguardavam por um meio de locomoção capaz de lhes devolver maior autonomia e dignidade.
A entrega dos meios de compensação, devolve esperança dos beneficiários que, durante anos enfrentaram dificuldades para se deslocar a procura de serviços básicos como às educação inclusiva, formação profissional, acesso ao emprego, unidades sanitárias, mercados e outros serviços públicos indispensáveis e estes consideram que, a iniciativa do governo da província de Niassa em providenciar estes meios de locomoção representa um importante gesto de solidariedade e inclusão social.
Para os beneficiários, uma cadeira de rodas significa recuperar a autonomia e reduzir a dependência de familiares para realizar actividades básicas do dia-a-dia, embora persistem outros desafios que continuam a afectar milhares de cidadãos com deficiência na província.
Durante a cerimónia de entrega, a Governadora de Niassa Elina Massengele reconheceu que embora estes beneficiários tenham agora melhores condições para se deslocarem, o número de pessoas vulnerais que necessitam de cadeiras de rodas são muito superior à capacidade de resposta das instituições públicas.
Massengele referiu que em diversas comunidades dos distritos da província, existem centenas de cidadãos que continuam a enfrentar enormes dificuldades devido à escassez de meios de locomoção tais como cadeiras de rodas, muletas, próteses e outros meios auxiliares deixando a permanecerem confinadas às suas residências por falta destes equipamentos adequados, agravando situações de exclusão social, dependência familiar e limita o acesso às oportunidades de geração de rendimento.
Por outro lado, a governante reafirmou o compromisso do Governo Provincial com a promoção da inclusão social e da dignidade das pessoas com deficiência, sublinhando que nenhuma sociedade pode alcançar um desenvolvimento sustentável enquanto parte dos seus cidadãos permanecer excluída dos serviços básicos.
“Empoderar os jovens para que constituam a família que desejam, num mundo justo e cheio de esperança”, disse a governante defendendo o reforço do investimento na educação, formação profissional, emprego e empreendedorismo juvenil. O desafio é transformar este potencial demográfico em oportunidades e resultados concretos, colocando os jovens no centro do Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo, e da consolidação do Niassa como futura Capital Agrícola de Moçambique” concluiu
Para Tomas Joaquim e Ernestina Mpambo, beneficiários dos meios de compensação, manifestaram-se satisfeitos por receber, pela primeira vez, um equipamento que lhes permitirá deslocar-se com maior independência, frequentar consultas médicas, participar em actividades comunitárias e reduzir o isolamento social.
“Para nós esta cerimónia representa muito mais do que um equipamento de apoio porque vai nos permitir frequentarmos a escola, deslocarmos para uma unidade sanitária sem dependermos de terceiros”,frisou Ernestina Mpambo. Já, Tomas Joaquim acrescenta que com estes meios “vamos participar em actividades comunitárias e procurarmos oportunidades de trabalho não vamos ficar toda hora em casa”.
Segundo os beneficiários apesar dos avanços na legislação sobre os direitos das pessoas com deficiência, a empregabilidade continua reduzida, sendo frequentes os casos de discriminação, ausência de adaptações nos locais de trabalho e escassez de programas específicos de inclusão económica e pedem criação de políticas permanentes, financiamento adequado e um compromisso contínuo das instituições públicas e privadas.
“Recebemos sim estes meios de locomoção mas enfrentamos outras dificuldades, em muitas Escolas, hospitais, tribunais, repartições públicas e outros edifícios continuam sem rampas, corrimões e instalações sanitárias adaptadas”, revelou Tomas Joaquim.
Refira-se que para esta camada social no sector da educação, a inclusão continua a enfrentar obstáculos significativos, muitas crianças com deficiência abandonam precocemente a escola devido à inexistência de condições adequadas para a sua permanência nas salas de aula.




