A dificuldade de comunicação entre funcionários públicos e cidadãos com deficiência auditiva continua a representar uma das principais barreiras no acesso aos serviços do Estado na província de Gaza. Nos hospitais, serviços de assistência social e outras instituições públicas, muitos utentes enfrentam obstáculos para explicar as suas necessidades e compreender as orientações recebidas. Para inverter este cenário, 37 técnicos dos sectores da Saúde e Acção Social concluíram uma formação em língua de sinais, numa iniciativa que pretende tornar o atendimento mais inclusivo.
Os participantes, provenientes dos 14 distritos da província, receberam durante cinco dias conhecimentos básicos de comunicação em Língua de Sinais, ferramenta considerada fundamental para garantir que as pessoas com deficiência auditiva sejam atendidas com dignidade, autonomia e respeito pelos seus direitos.
Segundo o director provincial de Género, Criança e Acção Social, Jorge Djedje, a formação integra os esforços do Governo para ampliar a utilização da Língua de Sinais nos serviços públicos e eliminar barreiras que ainda impedem muitos cidadãos de acederem plenamente aos seus direitos.
“A intenção é que estes técnicos sejam multiplicadores dos conhecimentos adquiridos e contribuam para uma comunicação cada vez mais inclusiva nos diferentes sectores do Estado”, destacou o dirigente.
Durante o encerramento da formação, a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene Chongo, considerou que a inclusão não deve limitar-se às políticas públicas, mas reflectir-se também na forma como os serviços são prestados aos cidadãos.
A governante defendeu a expansão da formação para funcionários das secretarias distritais e dos balcões de atendimento, por serem os primeiros profissionais a estabelecer contacto com a população. “Quando um cidadão procura um serviço público deve sentir-se acolhido, independentemente da sua condição física ou sensorial. A inclusão começa na comunicação”, disse a governadora.
Apesar dos avanços, especialistas reconhecem que o caminho ainda é longo. O formador Anastácio Macamo, professor do Centro de Recursos de Educação Inclusiva, explicou que muitos participantes tiveram o primeiro contacto com a cultura surda apenas durante esta capacitação, circunstância que tornou o processo particularmente desafiante.
Segundo o formador, compreender a Língua de Sinais vai além da aprendizagem de gestos, exigindo também o conhecimento da realidade social e cultural das pessoas surdas.
Entre os formandos, Rodrigues Matusse considera que a experiência alterou a sua forma de encarar o atendimento ao público. O técnico acredita que “os conhecimentos adquiridos permitirão prestar um serviço eficiente, reduzindo situações de incompreensão frequentemente vividas por cidadãos com deficiência auditiva”
Contudo, a expectativa das autoridades é que a formação represente o primeiro passo para a construção de serviços públicos mais acessíveis, nos quais a comunicação deixe de ser um obstáculo e passe a constituir um instrumento de inclusão e cidadania.
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