A má conservação dos cereais em armazéns com destaque para o milho, está preocupar a empresa de Comercialização Agrícola (ECA) que promove o fomento desta cultura, no distrito de Báruè em Manica, facto que para além de comprometer os ganhos financeiros da empresa, põe em risco a saúde pública.
Falando em entrevista ao IsocNews, o porta-voz da empresa, Jesus Sampaio, fez saber que a má conservação do milho causa aflatoxina, uma espécie de veneno invisível a olho nu que está dentro do milho, “o que significa que quando ser consumido com pessoas, tanto como animais, ela pode causar danos severos a saúde”. Por isso deve ser conservado em espaço bem arejado e cobertura, devendo ser fumigado para não perder a qualidade.
A fonte exortou para o redobrar das atenções aos produtores, comerciantes e armazenistas ao nível do país em particular na província de Manica onde tem se constado a má conservação do grão de milho.
Jesus Sampaio avançou que, um dos principais factores que leva os armazenistas a deixarem o milho perder a qualidade é comprar o milho numa determinada época para comercializar numa outra época, sem a devida conservação, afirmando que o milho danificado não só pode afectar a saúde pública aos consumidores como também coloca em causa o rendimento dos próprios produtores e fornecedores e consequentemente a economia, pois toda cadeia de valor saí a perder.
A outra preocupação da Empresa de Comercialização Agrícola tem a ver com a especulação de preço de compra do milho no distrito, onde vários comerciante e fornecedores aplicam preços que variam entre 12 a 17mt por quilograma, em detrimento do preço aplicado pela empresa fomentadora desta cultura, que faz assistência técnica aos produtores desde a lavoura, sementeira, fertilizantes, colheita e até de transporte da machamba até a residência do produtor, facilitando sobremaneira os camponeses na geração de renda região.
No entanto, a deslealdade do preço aplicado este ano, por alguns compradores estrangeiros na sua maioria bengaleses, tem estado a minar o ambiente de negócio, sobretudo para a ECA que actualmente emprega 100 trabalhadores.
Face o cenário Jesus Sampaio pediu maior fiscalização dos armazéns onde é conservado o milho, para envitar a contaminação de milho por aflatoxina e colocar em risco a saúde da população.
Além da fiscalização das infraestruturas estruturas de armazenamento a empresa, pede igualmente que as autoridades do sector da agricultura possam realizar igualmente uma fiscalização exaustiva e harmonização dos preços, com vista a garantir o rendimento dos produtores e uma segurança alimentar nacional.
O Governo do distrito de Báruè, através do Director Distrital das Actividades Económicas, Lucas Raice, reconheceu as preocupações apresentadas pela empresa que tem estado a apoiar muito as comunidades locais.
“Realmente alguns armazéns deixam a desejar, na verdade alguns nem podem ser considerados de armazém mas sim um estabelecimento para acomodar os produtos. Temos explicado que deve ter paletas, ser arejado. Vamos tentar reforçar o controlo e ver se podem fazer um armazenamento adequado”, disse.
Sobre a especulação e deslealdade do preço aplicado na compra do milho no distrito, Lucas Raice disse que o facto acontece provavelmente porque nesta época não houve boa produção e Báruè é um distrito que apesar da fraca produção conseguiu produzir alguma coisa, daí que muitos compradores sobretudo os de nacionalidade bengalesa estão a refugiar-se para aquele ponto da província a procura de milho e quando chegam nas comunidades começam a especular o preço.
“Vamos intensificar a fiscalização. Até ao momento já fizemos a apreensão de 25 balanças e algumas latas, que é para desmotivar esses que especulam o preço”, informou.
Importa realçar que o distrito de Báruè tem como meta de produção de cereais, com destaque para o milho, estimada em 500 mil toneladas para a presente campanha agrícola.




