Por Alberto Cumbane
O crescimento da actividade de mototaxi na cidade de Chimoio continua a levantar preocupações relacionadas com a segurança rodoviária. Em vários pontos da cidade, é cada vez mais frequente encontrar mototaxistas a circular sem capacetes e coletes reflectores, situação que coloca em risco a vida dos próprios condutores e dos seus passageiros.
Um pouco por toda a cidade de Chimoio, sobretudo nos principais terminais de semi-colectivos, cruzamentos e praças, é crescente o número de mototaxistas que se fazem a estrada carregando passageiros sem a observação das condições mínimas de segurança rodoviária.
Os condutores apontam o custo de vida como a principal causa na fraca adesão às boas práticas na via pública que passam por portar consigo capacetes e coletes refletores durante as viagens diárias. “Às vezes as matemáticas não batem, família precisa comer, crianças devem ir à escola, outro problema como sabemos, o combustível está caro e o dinheiro que fazemos nem chega para sustentar a família, então não é fácil”, explicou Pascoal Binze, mototoxista nesta urbe.
Entretanto, Binze assim como outros transportadores, reconhece a importância de portar consigo este material principalmente os coletes reflectores no período nocturno como forma de evitar acidentes na via pública, uma observação que termina na vontade.
Outro problema aliado ao transporte de mototaxi na cidade de Chimoio é a precária e por vezes a falta de iluminação nas motorizadas o que periga ainda mais todos os utentes da rodovia.
“Somos muitos taxistas, nem sempre conseguimos dinheiro e combustível”
A falta de material de proteção ao se fazer a via pública traz à tona uma outra realidade para quem quer se aventurar no mototaxi e Edvando Murringo, outro mototaxista, explica as razoes: “Hoje somos muitos taxistas, nem sempre conseguimos dinheiro e combustível é caro”.
Esta situacao começa a complicar as contas no final do dia porque “muitas vezes as motas não são nossas, nós trabalhamos e no final do dia devolvemos o dinheiro e isso faz com que muitos de nós não usemos capacetes, não porque não queremos, mas por causa de condições” confessou Murringo.
A preocupação na segurança rodoviária é também partilhada pelos utentes deste tipo de transporte que admitem o medo de se fazer transportar nas motorizadas sem capacetes insuficiente para deixar de recorrer ao serviço dada a flexibilidade nas deslocações, principalmente em zonas onde o transporte semi-colectivo é escasso.
“Agora que o combustível subiu, não tem chapas, e às vezes somos obrigados a usar motas porque precisamos chegar rápido ao trabalho, mas temos consciência do perigo”, explicou Paula da Isabel, utente do serviço de mototaxi.
“Mesmo havendo dificuldades a segurança é sempre importante”
Em meio aos argumentos que justificam a falta de material de proteção na pratica de mototaxi, há quem defende a necessidade de se fazer esforços para ter condições mínimas de proteção antes de se fazer a estrada.
É o caso de Ernesto Mabasso, que durante os 20 anos a desenvolver esta actividade nunca deixou de usar capacete e colete reflector sempre que se faz a estrada e afirma que “muitos dos taxistas são novos e não conhecem as regras”. Na visão deste condutor estes materiais
“não podem faltar para quem faz um trabalho sério de táxi-mota, mesmo havendo dificuldades a segurança é sempre importante”.
Já a Associação dos Mototaxistas de Chimoio reconhece os problemas de segurança enfrentados pelo sector e garante estar a trabalhar junto dos transportadores por meio de palestras para a observância de medidas de segurança rodoviária.







