Um pouco por todos os principais mercados da capital moçambicana, é comum se deparar-se com alimentos a serem comercializados sem a observação dos cuidados básicos de higiene. Entre os alimentos, destacam-se carnes, mariscos, verduras e legumes que ficam expostos ao calor intenso do sol, poeira e moscas.
A situação representa um atentado a saúde pública, principalmente quando os que compram não tem o hábito de lavar correctamente os alimentos após a sua aquisição, ou ainda, não higienizam as mãos e os utensílios usados para a preparação destes alimentos.
Em meio as celebrações do Dia Mundial de Alimentos Seguros, assinalado domingo (7 de Junho), o ISOCNews conversou com o Director do Centro de Higiene Ambiental, Dr. Gabriel Alifa. O objectivo foi entender junto deste profissional de saúde, o nível actual da situação alimentar ao nível da Cidade de Maputo.
Para responder a esta pergunta, Dr. Alifa começou por elucidar-nos que quando se fala de segurança alimentar, engloba-se a disponibilidade dos alimentos até a sua a qualidade. Segundo explicou, não basta somente garantir o alimento, é importante observar a questão da qualidade do mesmo que se ira traduzir num alimento saudável.
Em seguida, o profissional disse que ao nível da cidade de Maputo, verifica-se um desnível no acesso aos alimentos, entretanto, assegurou que “a segurança alimentar ao nível da cidade está garantida, pois temos alimentos de qualidade e de quantidade”.
O maior desafio na componente de alimentação ao nível da capital moçambicana reside na forma como os alimentos são comercializados nos diferentes mercados da urbe, principalmente os que são comercializados prontos para o consumo e aqueles que são consumidos crus.
“Os desafios consistem mais na exposição dos alimentos, pois existem alimentos que precisam de uma conservação específica tendo em conta a temperatura, mas em algum momento encontram-se expostos ao ar livre e sem protecção, e as pessoas estão a consumir”, lamentou.
Uma situação que está na origem de diversas doenças diarreicas, cólera e gastrites. Durante a nossa conversa, Dr. Alifa partilhou que o consumo de alimentos sem a observação dos cuidados de higiene pode estar na origem de casos de cólera diagnosticados naquela urbe. A título de exemplo, no ano de 2025, a cidade de Maputo verificou dois casos de cólera, no entanto, nos primeiros meses deste ano houve suspeita de três casos de cólera, dois dos quais chegaram a confirmar-se.
“Em relação a manipulação de alimentos, temos locais em que preparam-se os alimentos sem respeitar os procedimentos, não há agua corrente, não há sistema de frio, no processo de preparação não se separa o alimento cru do cozido, a conservação é mista facilitando uma contaminação cruzada”, exemplificou.
Alternativas para solucionar o problema
Questionado sobre as melhores alternativas para sanar os riscos que podem advir da péssima conservação dos alimentos, Dr. Gabriel Alifa disse preferir a adopção de um método mais didático que apele as pessoas para as boas práticas.
“Quando encontrar-se comerciantes a exercer as suas actividades com irregularidades para mim o melhor é instruir as pessoas em boas práticas, pode ser que esteja a fazer aquilo por desconhecimento. Caso a situação prevalecer, poder-se-ia tomar medidas como por exemplo encerrar o estabelecimento, por quinze dias e sem necessidade de multa, e obriga-lo a pagar salários aos seus funcionários”, defendeu.
O Director do Centro de Higiene Ambiental propõe o mapeamento dos locais que constituem de perigo eminente e com maior aglomerado de pessoas, “pois eliminando essas vendas localizadas nesses pontos, será igualmente fácil eliminar noutros pontos que nem tem pessoas aglomeradas”.
Outrossim, a falta de agua potável pode inviabilizar qualquer tentativa de adoptar boas práticas. “Sabemos que os alimentos são preparados com água. E se a água fornecida não é de qualidade é obvio que o alimento que iremos preparar poderá perigar a saúde pública. Há uma necessidade de garantir esses elementos todos”, concluiu.
Para os locais em que são confeccionados alimentos, deve garantir-se que haja agua corrente e sem restrições. Em relação aos resíduos sólidos, pontos concretos de deposito de lixo, bem organizado e protegido.
E por isso, Dr. Gabriel Alifa deixa um conselho aos moçambicanos, em especial os citadinos de Maputo. “Vamos comprar alimentos seguros” para que não coloquemos a nossa saúde em risco.
“Que se forneçam alimentos de qualidade. As autoridades, que continuem a trabalhar para que as falhas cometidas pelos agentes económicos que possam ser por eles arbitradas. Deve-se manter a vigilância para garantir que os produtos sejam comercializados em boas condições”, aconselhou.
O Dia Mundial de Alimentos Seguros, é celebrado anualmente a 7 de Junho, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2018 com o objectivo de sensibilizar os Governos, produtores, indústria e consumidores para a importância de prevenir, detectar e gerir riscos de origem alimentar, promovendo a saúde pública, o desenvolvimento sustentável e o comercio seguro.








