A fábrica de painéis solares de Beluluane, na província de Maputo, está parada desde 2019, numa altura em que Moçambique enfrenta desafios no acesso à energia eléctrica e procura acelerar a transição para fontes renováveis. O Fundo Nacional de Energia (FUNAE) reconhece que a paralisação prolongada da fábrica representa perda de uma capacidade industrial criada para responder às necessidades energéticas do país.
Durante uma visita realizada a unidade fabril, o presidente do FUNAE, Mety Gondola, admitiu que é necessário encontrar uma resposta concreta para colocar as maquinas da fábrica em actividade ou definir um novo modelo que permita aproveitar os investimentos já realizados.
A fábrica, que nasceu como uma aposta para reduzir a dependência da importação de painéis solares e criar uma base industrial nacional, permanece inactiva há vários anos, enquanto comunidades continuam a depender de soluções alternativas para ter acesso à electricidade.
“Estamos a estudar novas possibilidades para garantir a retoma das operações desta unidade. Não podemos olhar para uma infra-estrutura desta dimensão e permitir que continue parada sem uma solução”, afirmou Mety Gondola.
A declaração do dirigente surge num contexto em que o país tem intensificado os programas de electrificação rural através de sistemas solares, mas continua a recorrer ao mercado externo para aquisição de grande parte dos equipamentos utilizados nesses projectos.
A paralisação da fábrica levanta dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos públicos realizados na unidade e sobre os mecanismos adoptados para garantir a continuidade de um projecto considerado estratégico no sector energético.
Criada com a expectativa de impulsionar a produção nacional de tecnologias solares, a fábrica de Beluluane acabou por interromper as operações poucos anos depois do início das actividades, deixando equipamentos, infra-estruturas e trabalhadores numa situação de incerteza.
“Precisamos de perceber o que falhou, quais são os constrangimentos existentes e qual será o melhor caminho para que esta fábrica volte a contribuir para o desenvolvimento do país”, explicou Gondola.
A visita do presidente do FUNAE representa uma tentativa de reavaliar o futuro da fábrica, mas também coloca novamente em debate a necessidade de responsabilização sobre o estado de abandono de uma unidade industrial criada com expectativas elevadas.
Dados do sector indicam que milhões de cidadãos continuam sem ligação à rede eléctrica nacional, situação que tem levado o Governo a apostar em mini-redes solares e outros sistemas descentralizados.
Neste cenário, a existência de uma fábrica nacional poderia representar uma vantagem económica e estratégica, permitindo criar emprego, desenvolver competências técnicas e reduzir a saída de divisas para importação de equipamentos.
Mety Gondola reconhece que a recuperação da unidade dependerá da identificação de um modelo capaz de assegurar a sua viabilidade. “Não queremos simplesmente reabrir a fábrica para depois voltar a enfrentar os mesmos problemas. A solução deve ser sustentável e garantir continuidade”, afirmou.
A situação dos trabalhadores ligados à unidade também permanece como uma das preocupações do FUNAE. Muitos profissionais formados para operar a fábrica viram as suas funções interrompidas com a paralisação.
“Os recursos humanos são importantes. Vamos trabalhar para que estas pessoas possam continuar a contribuir, seja através da retoma da fábrica ou de outras actividades dentro do sector energético”, disse em reação às preocupações dos funcionários que aguardam por uma definição sobre o futuro profissional e sobre o aproveitamento das competências adquiridas.
O FUNAE admite que a nova fase de avaliação deverá considerar possíveis parcerias com investidores privados, nacionais ou estrangeiros, capazes de trazer capacidade financeira e tecnológica para a recuperação da fábrica, desde que a “solução seja baseada numa visão a longo prazo”.
A reactivação da fábrica poderia ainda fortalecer a posição de Moçambique no mercado regional de energia renovável, numa altura em que vários países africanos procuram aumentar a produção de equipamentos ligados à energia limpa.
Enquanto isso, o país continua a importar equipamentos solares para responder às necessidades de electrificação, numa altura em que dispõe de uma fábrica construída precisamente para reduzir essa dependência.






